Lúcia Mendes
O sorriso dele ainda pairava no ar.
"Seria tão ruim assim... ir pra cama comigo, chaveirinho?"
Puxei a gravata dele com firmeza, os olhos nos olhos, como naquela noite no beco.
"Não... não seria nada ruim." Sorri de lado, sentindo o coração bater mais rápido. "Mas sabe qual é o problema? Eu odeio homens traidores. E você é um deles."
Soltei a gravata com desprezo e me virei para sair, mas ele foi mais rápido. Me puxou pelo braço, me virou com firmeza e, num piscar de olhos, eu estava sentada sobre a borda da mesa dele.
"Traidor?" ele repetiu, a voz mais grave, mais próxima.
"É o que você é." Minha voz saiu baixa, mas firme, embora meu corpo... dissesse o contrário.
A proximidade era enlouquecedora. O perfume dele, a tensão no ar, o toque quente das mãos dele em minha cintura... Eu sentia. O desejo dele me tocava sem nem encostar. E o pior? Eu queria.
A mão dele subiu até meu rosto. Os dedos envolveram com cuidado, e o polegar roçou meu lábio inferior, provocando um arrepio que desceu por toda minha espinha.
"Eu não tenho ninguém, Lúcia. Sou solteiro. Posso fazer o que quiser. E se você pedir, a gente pode começar... agora mesmo."
Fechei os olhos por um segundo. O corpo queria. Mas a cabeça gritava.
"Ah é?" abri os olhos, tentando recuperar a razão. "E a Eliza?"
O sorriso dele se curvou de lado, lento, cínico.
"É diferente."
Foi como levar um soco.
"Diferente?" Minha voz subiu meio tom. O encanto que me envolvia se despedaçou em segundos. "Ela te deu um pé na bunda e agora você se diverte com outras até ela te dar uma nova chance?"
Afastei sua mão com força. Pulei da mesa empurrando o peito dele com as duas mãos.
"Se você continuar com isso, vou falar com o Jones pra te tirar daqui. E lembre-se, tem câmeras em cada canto desse andar". ele apenas sorriu e então parei novamente. "E não me chame de chaveirinho, idiota." rangi os dentes irritada.
Voltei para minha mesa sem olhar pra trás. Me joguei na cadeira, bufando, os dedos tremendo de raiva.
Ou de fraqueza.
Por um instante, quase cedi. E eu me odiava por isso.
Nate saiu da sala, e a paz voltou a reinar... bom, era o que eu achava. Pena que minha mente começou a criar mil cenários de como seria estar com ele de novo. Dessa vez sem pressa, sem surpresas e completamente sem roupas.
"Ah, Lúcia, pelo amor de Deus..." bufei, me levantando com força e indo até o frigobar. Peguei uma garrafa de água e bebi metade num gole só.
Mas o calor persistia. Não só na pele, mas na alma.
"Como eu vou resistir a três dias em Milão com ele?"
Encostei na janela de vidro, encarando o horizonte cinza de prédios e arranha-céus. Minha cabeça girava, meu corpo ainda em alerta, ainda tremendo, não de medo, mas de desejo. De raiva.
Era um campo minado.
Se eu me permitisse cair mais uma vez, sabia que não teria volta. E pior… ele sabia disso.
O celular vibrou na mesa. Fui até ele achando que era minha mãe, mas era uma mensagem da Teresa:

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