Nate Donovan
Eu a observei em silêncio.
O jeito que ela tremia… não de frio, mas de algo muito mais profundo. Trauma. Pavor. Algo que talvez nem dez viagens para o outro lado do mundo curassem.
Meu peito apertou com um peso que nem o cargo de CEO jamais trouxe.
Ela ainda estava ali, parada, tentando respirar, tentando parecer forte. Mas eu via. Eu sentia. Lúcia estava quebrada e tentando desesperadamente colar os pedaços sem que ninguém notasse.
Estendi a mão, devagar.
Ela hesitou por meio segundo… e então segurou. Forte. Como se eu fosse a última âncora em meio a um mar revolto.
Puxei-a para meus braços, envolvendo-a com cuidado, como se quebrá-la mais fosse uma possibilidade real. E talvez fosse.
Encostei meus lábios em seu ouvido, baixo o suficiente para que só ela ouvisse.
"Vai ficar tudo bem, Lúcia. Eu prometo. Ele não vai chegar perto de você de novo. Nunca mais."
Ela se agarrou em mim com mais força, e um soluço escapou de seus lábios, sufocado, cru, como se tivesse sido guardado por tempo demais.
"Eu só preciso saber…" sua voz saiu falha, abafada pelo tecido do meu paletó, "que se esse homem entrar por uma porta desta empresa, eu terei tempo de sair por outra."
Fechei os olhos e respirei fundo.
"Você vai saber antes mesmo dele chegar à calçada. Eu serei o primeiro a te alertar. A te defender. Confia em mim."
Afastei o rosto o suficiente para olhar nos olhos dela e acariciei sua bochecha com o polegar. Ela estava quente, ainda trêmula. Então, beijei sua testa, um gesto tão íntimo quanto inesperado.
Ela ergueu o olhar para mim, e naquele instante, foi como se tudo ao redor deixasse de existir.
Era um olhar que me atravessava. Como se eu fosse mais do que um colega, mais do que um porto seguro. Como se eu fosse alguém que importava. De verdade.
Fiquei sem ar por um segundo. E odiei essa sensação tanto quanto desejei vivê-la de novo.
Um pigarro discreto nos tirou do transe.
Jones.
Lúcia se afastou depressa, ajeitando o blazer e os cabelos.
"Eu… eu vou voltar pra minha sala." Sua voz saiu baixa, quase envergonhada.
Assenti com um leve sorriso e fiz menção de sair também, mas então ouvi:
"Nate. Fique, por favor. Tenho mais um assunto pra tratar com você."
Jones falava com aquele tom calmo demais pra ser só negócios.
Esperei Lúcia sair, então fechei a porta. Quando me virei, ele estava com um sorriso enigmático, braços cruzados, encostado na mesa.
"Você está envolvido demais."
Revirei os olhos, indo até a poltrona.

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