Nathaniel Donovan
O restaurante tinha sido uma escolha pessoal. Um espaço temático infantil, com decoração inspirada em contos de fadas, brinquedos lúdicos e garçons vestidos de príncipes e princesas. O tipo de lugar que fazia Eliza sorrir como se o mundo fosse feito de algodão-doce. E, pra mim, ver esse sorriso... era tudo o que importava.
Ela entrou saltitando ao meu lado, as tranças loirinhas balançando com cada passo, o vestido floral rosa rodando conforme ela pulava. Estava encantada com os balões, as luzes, a pequena floresta de mentira no canto do salão.
"Pai! Tem um castelo de verdade ali!" apontou com os olhos brilhando.
Sorri, apertando sua mão com carinho. "Vai lá explorar, minha princesa. Só não se afasta muito, combinado?"
"Combinado!" E ela disparou na direção do espaço de recreação.
Enquanto ela se divertia, fui até o garçom e pedi os favoritos dela: mini hambúrgueres, batatinhas em forma de estrela e um suco de morango com glitter comestível. Sim, glitter. Ela dizia que era "bebida de unicórnio" e, sinceramente, quem era eu pra discutir?
Quando a comida chegou, chamei Eliza de volta com um assobio discreto. Ela correu até a mesa, rindo e toda suada, e se jogou no banco acolchoado ao meu lado. Começamos a brincar com os canudos, montando castelinhos de batata e trocando risadas cúmplices.
Estava tudo perfeito.
Até que ela apareceu.
Saltos altos ecoando pelo chão de madeira polida. Um vestido justo, caro, preto provocante. Cabelos tingidos de um vermelho acobreado vibrante, mas que não escondiam a raiz loira, nem a semelhança incômoda com a minha filha.
Yolanda.
Por um segundo, meu corpo congelou. Mas minha expressão permaneceu impassível. Eu sabia que ela era imprevisível, mas não esperava que tivesse a audácia de me seguir até ali.
Ela parou na beirada da nossa mesa, o olhar fingidamente emocionado, os olhos brilhando com uma teatralidade barata.
"Eliza..." murmurou, com a voz trêmula de propósito. "Meu Deus... como você cresceu..."
Minha filha se encolheu, como se instintivamente soubesse que algo estava errado. Ela me olhou, assustada, e automaticamente puxou meu braço.
"Quem é ela, papai?"
Fiz questão de fingir total desconhecimento. Me virei para Yolanda com frieza.
"Desculpe, senhora... posso ajudar em algo?"
Ela soltou uma risadinha nervosa, como se eu estivesse brincando. "Não faz isso, Nate. Eu só... eu precisava ver a minha filha."
A tensão no meu maxilar explodiu internamente. Mantive o tom controlado, mas gélido.
"Não faço ideia de quem seja você. Por favor, se afaste. Está assustando minha filha."

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