Nathaniel Donovan
Ela tinha quebrado o acordo…
Na manhã seguinte, o céu ainda estava cinzento quando deixei Eliza dormindo profundamente no quarto ao lado. O corpo dela parecia pequeno demais em meio aos cobertores, mas o rosto... ainda carregava traços do medo da noite anterior.
Já eu? Eu passei a madrugada em claro.
Meu corpo estava exausto, mas minha mente... em chamas.
No andar de baixo, andava de um lado para o outro no escritório com as mãos nos bolsos e o maxilar travado. A raiva estava acumulada pronta para explodir a qualquer momento. Um pequeno deslize seria o suficiente para me fazer levar o assunto ao extremo. Yolanda tinha ultrapassado todos os limites. Mexer comigo era uma coisa. Mas com a minha filha? Ela tinha cavado a própria cova.
A campainha tocou e, segundos depois, Enzo Kendrik apareceu com seu terno perfeitamente alinhado e a cara de quem já sabia que o dia seria longo.
"Bom dia," disse ele com aquele tom polido, largando a pasta na mesa e afrouxando o botão do paletó. "Ou pelo menos pra quem ainda acredita nisso."
"Eliza passou a noite inteira tremendo," comecei, sem rodeios. "Chorando. A porra daquela mulher se aproximou como se fosse mãe de verdade. Mãe, Enzo. Diante de todo mundo." Me virei bruscamente, socando a lateral da estante com força o suficiente para derrubar um porta-canetas. "Ela violou o acordo. Que porra de carta ela tem na manga para fazer algo assim?"
"Não sei, mas você sabe que a Yolanda não costuma fazer as coisas sem uma motivação. Ela está a quase um ano pedindo o aumento da pensão, e como em contrato, foi negada todas às vezes, mas algo deve ter mudado, ou ela não arriscaria assim."
"Descubra o que ela tem contra mim. Agora mesmo. E a pensão, já resolveu?"
"Já dei entrada na revogação," disse ele, abrindo a pasta com calma britânica. "O processo foi acelerado. O juiz já deferiu a suspensão e a notificação pra desocupação do apartamento dela foi entregue hoje de manhã."
"Ótimo. Que ela sinta na pele o que é cruzar a linha comigo."
"Ela não vai conseguir outro centavo. O pagamento dos cem mil do mês que vem foi bloqueado. Acredito que logo estará inflamando todos os jornais de como você é um péssimo pai, que não a deixa ver a filha."
"Que ela faça o que quiser, eu tenho a gravação. Tenho mais provas do que ela pode imaginar. Coloquei um detetive atrás dela esses anos todos, e sei de tudo que ela fez. De todos os abortos, de todos as contravenções a lei. Tudo."
"Eu sei, mas sempre pode haver uma brecha. E você sabe que ela só precisa dormir com a pessoa certa."
"Maldita hora que coloquei aquela mulher na minha vida."

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