Lúcia Mendes
O zumbido constante da cabine e a iluminação suave criavam um clima perfeito… para me deixar caindo de sono. Já fazia mais de duas horas desde que o jato decolou, e por mais que eu tentasse manter o foco nos relatórios do tablet, as palavras começaram a embaralhar.
Pisquei devagar.
Pisquei de novo.
E então cochilei por alguns segundos.
Bufei, soltando o tablet no colo. A poltrona era confortável, sim, mas a posição... nada anatômica. Mexi no encosto, virei de lado, puxei a manta de bordo, nada ajudava. Meus olhos passearam até a porta semiaberta do fundo da cabine.
O quarto.
O tal quarto que ele mencionou. O quarto com isolamento acústico. O quarto com ele.
Suspirei alto e levantei.
Caminhei até a porta com passos lentos, debatendo internamente se era uma decisão sensata. Quando empurrei a maçaneta, a luz interna suave revelou a cena que me fez congelar por três segundos inteiros.
Nate estava esparramado na cama de casal, de bruços, com os braços abertos, o rosto parcialmente virado para o travesseiro e… sem camisa.
Minha boca secou.
O lençol cobria só da cintura pra baixo, revelando as costas largas, musculosas, com linhas definidas que pareciam ter sido desenhadas à mão. O ombro direito subia e descia devagar com a respiração profunda.
A visão do pecado.
"Respira, Lúcia e para de babar...", sussurrei pra mim mesma, afastando os pensamentos mais inadequados.
Sacudi a cabeça, tentando expulsar a imagem. Era só um quarto. Era só uma cama. Era só o corpo dele... esculpido e pecaminoso.
Chega.
Dei um passo à frente com a intenção firme de acordá-lo e reclamar: ele tinha ocupado todo o espaço, nem que eu quisesse daria pra deitar ali. Mas, quando me aproximei, percebi que ele estava genuinamente dormindo. A respiração ritmada, os dedos relaxados sobre o lençol, o rosto sereno.
Ah, droga.
Suspirei com peso. Não tive coragem.
Dei meia-volta, voltando silenciosamente para a poltrona. Reajustei a manta, o encosto, e me forcei a dormir ali mesmo. Afinal, o voo ainda tinha mais umas seis horas e... alguma sanidade precisava ser preservada.
Fechei os olhos. Apaguei em minutos.
…
"Se é tão ruim assim dormir perto de mim… por que você tá tremendo só com minha voz?"
Acordei com um sussurro quente no ouvido e braços fortes me erguendo com facilidade.
"Mas o que...?!", comecei, ainda sonolenta, agarrando instintivamente o peito dele com a mão.
Ele sorriu, os olhos semicerrados pela pouca luz do corredor, e me carregava como se eu não pesasse nada.

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