Lúcia Mendes
Meu coração deu um salto. A realidade caiu sobre mim como um balde de água fria. Olhei para Nate, que já estava com um meio sorriso, como se achasse graça da situação. Meu vestido estava no chão, a jaqueta jogada em um canto, a calcinha... bem, aquela não tinha sobrevivido. Meu rosto queimou ao perceber o que tínhamos feito, onde tínhamos feito.
"Merda," murmurei, me levantando rápido, tentando reunir as peças de roupa. "Como vamos explicar isso?"
Nate se espreguiçou, sem pressa, ainda com aquele olhar de quem estava muito satisfeito consigo mesmo. "Relaxa. A comissária é bem paga para não contar nada do que acontece aqui."
"Como sabe disso?" resmunguei, vestindo o vestido com pressa, tentando ignorar o calor que ainda pulsava no meu corpo. Ele se levantou, vestindo a calça com uma calma irritante, antes de me puxar para um último beijo rápido, mas cheio de promessa.
"Não terminamos, Lúcia," ele sussurrou contra meus lábios. "Essa foi só a primeira de muitas que eu planejei para Milão."
Saímos da cabine, tentando parecer o mais naturais possível, mas eu sabia que meu rosto denunciava tudo. A comissária nos lançou um olhar que misturava profissionalismo e uma pitada de curiosidade, mas não disse nada. Sentamos nos nossos assentos, afivelamos os cintos, e eu tentei processar o que tinha acabado de acontecer.
Duas horas. Talvez mais. Não parecia possível, mas meu corpo dizia o contrário. Cada músculo dolorido, cada arrepio na pele, cada batida acelerada do meu coração era prova de que eu tinha me entregado completamente.
O céu estava cinza quando descemos do jatinho, mas o frescor do ar europeu era um alívio bem-vindo depois do calor sufocante que tínhamos vivido. O motorista já nos esperava na pista, segurando uma plaquinha discreta com o nome da empresa e uma sombrinha preta que me cobriu assim que descemos as escadas da aeronave.
"Senhor Meyer, senhorita Mendes. Bem-vindos a Milão."
O sotaque italiano era forte, mas a fluência impecável. Nate apenas assentiu com um aceno preguiçoso e natural, como se aquilo fosse rotina. Eu, por outro lado, ainda tentava fingir que meus joelhos estavam firmes.
Entramos na SUV preta que nos esperava com ar-condicionado na medida perfeita. Nate se sentou ao meu lado no banco traseiro, com a perna levemente encostada na minha, como se fizesse de propósito.
"Tá tudo bem aí?" ele perguntou, num tom tranquilo, quase inocente.
"Sim." Cruzei as pernas e ajeitei a saia do vestido, tentando manter a compostura.
Ele virou o rosto pra mim com um sorrisinho malicioso.
"Tem certeza? Porque você andando por aí sem calcinha tá me deixando num estado difícil de controlar."
Quase engasguei com minha própria saliva.
"Culpa sua. Me lembre de cobrar uma nova assim que eu achar uma loja de lingerie." Murmurei, sentindo minhas bochechas esquentarem enquanto olhava discretamente para o motorista à frente, que felizmente parecia alheio ao flerte. Ou muito bem treinado.
Nate apenas sorriu, relaxando no banco, com aquele ar de quem sabia exatamente o efeito que causava.

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