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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 50

Lúcia Mendes

Eu não disse uma palavra.

Desde que saímos da sala de reunião até o elevador, caminhei com os passos mais firmes que consegui reunir. Por dentro, tudo em mim era um vendaval. Ainda não sabia como reagir ao que tinha visto... ou ao que tinha sentido.

Nate tentou abrir a porta do carro pra mim, como sempre. Mas eu simplesmente o ignorei. Entrei sozinha, silenciosa, cruzei as pernas com a mesma elegância que usava pra esconder o caos interno e apoiei a bolsa no colo. A sacola com os sapatos ficou no assoalho, esquecida.

Tentei ignorar as bufadas pesadas dele. E o ranger dos dentes que não disfarçava nem um pouco a fúria que ainda emanava feito fumaça ao meu lado.

O silêncio entre nós desceu como um terceiro passageiro, pesado e incômodo.

O carro começou a andar.

E foi só então que me virei, o olhar direto, sem nenhuma paciência:

"O que foi aquilo?"

Ele me olhou de soslaio, confuso, ou fingindo confusão.

"Aquilo o quê?"

"Não se faça de bobo. A cena toda. O teatrinho. Se enfiando no meio da conversa, respondendo por mim, me encarando como se estivesse prestes a saltar por cima da mesa."

"Ele tava te comendo com os olhos, Lúcia. Era isso ou arrancar os olhos dele com um garfo."

Ri. Baixo. Irônica. "Sinto muito se nunca percebeu, Nate… mas é assim que as mulheres são tratadas."

Ele bufou, a mão fechada sobre a perna. O maxilar contraído de novo.

"Esses homens endinheirados acham que podem tudo. Comprar, invadir, tomar. Você acha que foi pessoal? Não foi. Foi só... mais uma terça-feira no mundo corporativo."

"Nem todos os homens são assim." A voz dele veio mais baixa, mas firme.

Levantei uma sobrancelha, provocando: "Não? Sério? Me apresenta um, então… tô curiosa."

Ele virou o rosto para mim. E que olhar.

Raiva. Ciúmes. Frustração. Tudo misturado ali, queimando no fundo dos olhos.

"Você tem que ser profissional, Nate. Eu sei que existem pessoas boas. Mas, nesse mundo, as exceções são raras. A maioria só finge saber negociar quando, na verdade, tá avaliando o que pode conquistar, não o que pode construir."

"Eu não vou deixar nenhum filho da puta desrespeitar você."

Sorri, sem humor.

"Então vai acabar perdendo o emprego."

Ele se inclinou na minha direção, os olhos ainda cravados nos meus.

"Acho bem pouco provável."

Tentei me afastar, mas ele não deixou. O espaço no banco já era pequeno, e agora parecia ainda menor.

"Se eu não estivesse ali… você teria aceitado jantar com ele?"

Pisquei, surpresa. "O quê?"

"Responde."

Suspirei e dei de ombros. "Não."

"Não?"

"Não, Nate. A forma como ele me olhou... o tom da voz... Não aceitaria nada vindo dele. Mas se formos fechar negócio com esse tipo de gente, vamos ter que aprender a lidar com..."

"Não termina essa frase." Ele cortou, seco. "Nem quero mais fazer negócio com esse cara."

Revirei os olhos, rindo com descrença. "Ah, claro. Por que agora quem decide é você?"

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