Lúcia Mendes
O carro parou.
Mas nem eu, nem ele, nos movemos.
A tensão ainda pulsava entre nós. Nossos olhos não se desviavam um do outro. O motorista, sábio, não disse uma palavra. Sentiu. Pressentiu. Como se entendesse que qualquer ruído agora poderia acender um pavio.
Eu respirei fundo.
E sem dizer nada, abri a porta.
Arrastei comigo a bolsa e a sacola. Não olhei para trás. Não podia.
Porque se olhasse... cederia.
E se eu não me cuidasse, se não colocasse limites, iria acabar quebrando a minha primeira regra. A mais importante. A única que ainda me protegia de mim mesma.
Quase corri até o elevador, ignorando a dor do dedo machucado, ignorando tudo, exceto a necessidade de distância.
Mas Nate... Nate nunca facilitava.
A porta estava quase fechando quando uma mão grande e firme surgiu no vão, fazendo o sensor recuar com um bipe abafado. Ela abriu de novo… e ele entrou.
Devagar. Implacável.
Os olhos estavam diferentes. Mais escuros. Mais intensos.
Como os de um predador pronto para o ataque.
Engoli seco, recuando instintivamente, como se meu corpo entendesse o perigo, mesmo que o coração estivesse clamando por ele.
A porta se fechou atrás dele com um estalo surdo. E então, estávamos presos ali. Eu, ele… e tudo o que fingíamos controlar.
"Nate..." sussurrei, porque era tudo o que consegui dizer.
Mas ele já estava vindo. Um passo. Dois.
Meu corpo colou na parede de aço escovado, e a sacola escorregou da minha mão. A bolsa caiu logo em seguida, esquecida no chão. Meus dedos foram parar no peito dele, tentando mantê-lo longe, mas eu sabia que já era tarde demais.
Ele me cercou.
Seus olhos queimavam dentro dos meus. Sua mão subiu até minha nuca, firme, segura, sem machucar… mas me obrigando a encará-lo.
"É só isso que você quer de mim, Lúcia?" A voz dele era baixa, grave, rouca. Uma mistura de raiva e desejo. "É só prazer?"
"Eu..." minha garganta secou. O coração batia no ritmo de um tambor de guerra. "Nate, a gente combinou…"
"Não, você combinou," ele rosnou contra minha pele, a boca perigosamente próxima da minha. "Eu só aceitei. Mas agora… isso aqui..." Ele apontou entre nós. "Isso aqui tá me destruindo. Tá impossível resistir."
"Nós dissemos que seria passageiro..." tentei argumentar, mesmo sabendo que soava fraca, perdida, quebrada.
Ele riu, sem humor. Um riso baixo, cínico, carregado de frustração e algo mais sombrio.
"Então me diz." A mão dele deslizou da minha garganta para minha cintura, me puxando contra ele. "Aquele papel ridículo com nossas regras… você ainda acredita nele? Porque eu já quebrei todas." Ele roçou os lábios no meu queixo. "E acho que você também."
"Nate..."
"Diz pra mim que é só prazer. Olha nos meus olhos e diz." Ele me empurrou mais contra a parede, o corpo colado ao meu, o calor dele me queimando. "Porque eu posso te dar isso. E muito mais. Tudo o que você quiser... contanto que aceite tudo o que eu sou."
"Eu não posso…" minha voz tremeu.
"Você já é, Lúcia. Você já é minha. Admitindo ou não."
A boca dele desceu com força, com fome, com urgência.

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