Nathaniel Meyer Donovan
O toque do celular morreu embaixo da camisa, mas antes que eu pudesse retomar o foco em Lúcia, ela falou, ainda com a voz rouca de prazer:
"Se quiser atender, tudo bem."
Neguei com a cabeça, levando a mão à cintura dela e a puxando de volta para um beijo lento, profundo.
"Não agora."
Mas o maldito telefone tocou de novo.
Fechei os olhos, encostando a testa no ombro dela com um suspiro irritado.
Ela acariciou meu rosto com delicadeza, e disse com aquele tom doce que me desmontava por dentro:
"Vai. Vai atender."
Beijei seus lábios uma última vez, e murmurei:
"Me dá só um minuto."
Peguei as roupas do chão, o celular ainda enrolado no tecido, e fui até o quarto. Atendi enquanto jogava tudo sobre a cama.
"Oi, filha… como você tá?"
Mas o que ouvi do outro lado gelou meu sangue.
Ela fungava. Chorosa. Assustada.
"Papai… a mulher do restaurante… ela tá tentando entrar aqui em casa!"
"Como assim?" Me endireitei, tenso. "Eliza, a mulher tá dentro da casa?"
"Não, o tio David não deixou. Mas ela tá lá fora, gritando! Disse que quer falar com ele, mas eu não quero ver ela. Tem polícia aqui, ela tá dizendo um monte de coisa. Tô com medo, pai…"
"Passa o celular pra babá, meu amor."
Ouvi ela chamar baixinho: "Tia Moira…"
A babá pegou o telefone com a voz igualmente nervosa.
"Senhor Donovan… eu sinto muito. Eu tentei te ligar antes, mas não consegui. Liguei para o Sr. Jones, e ele veio rápido. Tentou conter a situação da melhor forma possível, mas… ela tá fora de si."
"O que aconteceu exatamente?"
"Ela apareceu gritando, dizendo que tem o direito de ver Eliza. Os seguranças tentaram contê-la, mas ela começou a agredir, empurrar. A polícia foi chamada, mas ela tá muito alterada. Eliza entrou em pânico. Tive que tirá-la da sala…"
"Leve ela pra um cômodo longe das janelas. Tranque. Ligue a TV, tente distraí-la… Eu vou mandar algo pra acalmá-la. Me escutou?"
"Sim, senhor. Mas… eu acho que seria prudente avisar o médico dela. Ela pode ter uma crise, e o senhor não está aqui. Ela está tremendo. Ela só se acalma com o senhor."
Fechei os olhos por um instante, sentindo a pressão na têmpora latejar.
"Faz isso. Liga agora. E me mantenha informado. Qualquer coisa, eu dou um jeito de ir embora ainda hoje."
"Sim, senhor."
"Não esquece, Moira. Me liga qualquer coisa."
"Pode deixar."
"E peça para Jones me ligar assim que a situação for contida."
"Vou pedir, senhor Donovan."

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