Lúcia Mendes
"Você tá mesmo me levando pra uma loja de lingerie em Milão?"
Cruzei os braços, tentando manter a pose séria, mas a verdade é que minha fachada estava prestes a desmoronar. O lugar parecia saído de um filme francês. Espelhos dourados, cortinas de veludo pesado, cabines de provador que mais pareciam camarins de ópera… e um aroma envolvente de baunilha, jasmim e pura tentação.
Nate deu um passo à frente, com aquele sorriso canalha que ele adorava exibir quando sabia que estava me tirando do eixo.
"Eu te prometi uma calcinha nova depois de ter destruído a sua no avião, lembra?"
Ele piscou, descarado.
"Hora de cumprir minha palavra. Com muito estilo."
"Com o seu cartão?"
Levantei a sobrancelha enquanto ele já vasculhava as araras com um brilho travesso nos olhos.
"Com o meu cartão, com prazer. Ou você quer que eu desenhe uma pra você com caneta permanente?"
Revirei os olhos. "Você está gastando demais comigo."
"Não é nada."
"Ah não? Está escondendo alguma coisa de mim, Nate? Por acaso é um herdeiro misterioso e eu ainda não sei? É por isso que nunca te vi trabalhar de verdade? Ou você está gastando as economias dos seus acompanhamentos com senhoras ricas?"
Ele gargalhou alto, chamando atenção de uma das vendedoras, que sorriu discretamente.
"Quando a gente voltar pra casa, eu vou te convidar pra jantar na minha casa. Aí te conto tudo. Sem esconder nada."
Inclinei a cabeça, desconfiada. "Por que não agora?"
"Porque eu quero que essa viagem seja perfeita," ele respondeu, a voz baixa, firme. "E porque não tô nem um pouco disposto a trazer problemas desnecessários pra esse momento."
"Mas eu…" comecei, ainda querendo argumentos.
"Sem 'mas', Lúcia."
Ele se aproximou, colando nossos corpos com delicadeza. A palma quente pousou na minha cintura, e os olhos castanhos mergulharam fundo nos meus.
"Vamos só... viver isso. Esquece os protocolos que a vida enfiou na sua cabeça, só por alguns dias. Me deixa cuidar de você do meu jeito. Sem resistência. Sem culpa. Só entrega."
Suspirei, mas cedi. De novo.
"Está bem, mas não precisa desses exageros. Qualquer loja de departamento tem o que a gente precisa." Ele se afastou olhando as peças novamente.
"Mas não tem a qualidade que eu quero que você use."
A vendedora apareceu com um sorriso profissional, mas nada discreto. E claro, justo quando Nate segurava uma calcinha minúscula de renda vermelha que mal cobria o que precisava.
"Essa aqui tem a sua cara."
Ele mostrou como quem oferece uma joia rara.
"Você quer que eu morra de vergonha, né?"
Sussurrei entre os dentes, sentindo as bochechas queimarem enquanto a vendedora nos observava fingindo que não via nada.
Ele me ignorou, pegando mais uma. Dessa vez preta, com tiras que sugeriam mil possibilidades perigosas.
"Essa aqui é obrigatória. Já estou imaginando o que vou fazer quando você usar."
"Nathaniel!"
Empurrei o peito dele rindo, e saí de perto fingindo interesse em outro setor.
Mas foi aí que eu vi.
Um conjunto azul petróleo, com detalhes bordados à mão. Sensual sem ser vulgar. Sofisticado. A lingerie perfeita: delicada e provocante, com um ar elegante que me fez, pela primeira vez, me sentir poderosa só de imaginar vestindo aquilo.

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