Nathaniel Donovan
Me aproximei em silêncio, temendo perder aquele momento.
Tirei o celular do bolso e, sem pensar muito, tirei uma foto. Só queria guardar aquilo. Aquela rara paz. Aquele instante que, por um segundo, parecia... uma família.
O clique foi baixo, mas suficiente para fazê-la abrir os olhos.
Guardei o celular no mesmo segundo.
"Oi," murmurei, me sentando devagar ao lado delas. "Desculpa por isso. Mas eu… eu não consegui pensar em mais nada. Precisei que alguém em quem eu confiasse ficasse com Eliza enquanto eu resolvia a situação lá fora."
Ela piscou algumas vezes, como se estivesse se situando. Depois olhou para Eliza, ainda dormindo em seus braços, e afagou os cabelos da menina com carinho.
Peguei o controle e desliguei a TV, trazendo um pouco de silêncio para o ambiente e para nossos pensamentos.
"Sei que não era assim que você esperava descobrir… Mas eu sou muito reservado quando se trata dela. Na verdade, com tudo que envolve minha vida pessoal."
Suspirei, apoiando os cotovelos nos joelhos. "E agora você teve uma prévia do motivo."
Lúcia apertou Eliza um pouco mais contra si, o olhar oscilando entre mim e a menina.
A voz saiu baixa, ferida:
"Como pôde me fazer pensar tão mal dela?"
Soltei um riso nervoso, sem humor.
"Você tirou algumas conclusões por conta própria… Eu só não sabia se devia corrigir ou deixar que descobrisse sozinha."
Ela assentiu devagar, mordendo o lábio. Mas o silêncio dela gritava. A expressão era neutra demais.
O tipo de neutro que precede uma tempestade.
Estendi os braços.
"Me dá ela aqui. Vou colocá-la na cama, e depois a gente conversa com calma. Ela parece exausta."
Lúcia hesitou, mas cedeu.
"Ela disse que ficou com medo da mulher malvada."
Trinquei os dentes.
"Eu nunca vou me perdoar por ter dado a ela uma mulher como a Yolanda como mãe. Esse vai ser o fardo da minha vida."
Me aproximei devagar, pegando Eliza com cuidado. Ela resmungou, mas se ajeitou em meus braços. Lúcia se levantou e pegou o ursinho que caiu quando peguei Eliza, e o ajeitou com delicadeza sobre ela.
Antes de sair, me inclinei e toquei os lábios dela com um selinho suave.
"Fica aqui. Vou levá-la pro quarto e volto pra gente conversar. Prometo que vou te contar tudo… e você pode perguntar o que quiser. Só… não vai embora. A gente precisa falar sobre tudo isso. Sobre o que você viu. Sobre quem eu sou."
Ela assentiu, séria. Não respondeu.
E não retribuiu o beijo.
Saí dali com o coração apertado. Tinha certeza de que as coisas estavam piores do que eu imaginava.
Subi as escadas e entrei no quarto de hóspedes que Jones havia preparado para Eliza.

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