Lúcia Mendes
O elevador descia devagar demais.
Ou talvez fosse a minha cabeça que estivesse correndo rápido demais.
A imagem do Nate no rooftop ainda estava grudada em minha mente.
Ele, deitado ao meu lado. A filha dele, rindo comigo. O jeito que ele me olhou...
Eu respirei fundo e balancei a cabeça.
"Idiota...", murmurei para mim mesma. "Ele é um mentiroso, Lúcia. Um maldito CEO que fingiu ser outra pessoa. Não se esqueça disso. Ele podia ter contado a verdade e não contou. Podia ter falado que eu cometi um engano, mas simplesmente me envolveu em seu jogo."
Apertei os lábios.
Mas, mesmo assim... ele era incrível. Inteligente. Sedutor. Protegia a filha como se fosse um escudo humano.
E aquilo me irritava mais do que qualquer coisa.
"Droga...", resmunguei, sentindo o calor subir pelo pescoço. "Por que isso tem que me atrair? Por que tudo naquele homem tem que me fazer desejar mais?"
Tão perdida nos meus próprios pensamentos que nem percebi quando o elevador parou antes do meu andar.
O ding soou baixo, mas não registrei.
A porta se abriu... e, no instante seguinte, uma mão áspera me agarrou pelo braço.
"O quê?!" minha voz saiu sufocada.
Fui puxada com força pra fora. O salto raspou no chão, e meu corpo girou.
A primeira coisa que vi foi o rosto de Eduardo.
A segunda... foi o tapa.
O som seco ecoou no corredor.
"Sua vadia!" Célia cuspiu, o rosto contorcido de ódio. "É tudo culpa sua!"
Minha pele queimou onde a mão dela bateu. Meus olhos arderam mais de raiva do que de dor.
"Culpa minha?", cuspi as palavras, tentando me soltar do aperto de Eduardo. "Vocês dois são uns merdas! Roubaram, fraudaram, tentaram me jogar na lama... e a culpa é minha?"
"Cala a boca!", Eduardo me puxou pelos cabelos, a dor aguda me fez soltar um grito.
"Vocês não valem nada! Nem como profissionais, nem como pessoas!"
"Vamos ensinar seu namoradinho a não se meter comigo", ele rosnou no meu ouvido, o hálito quente e repugnante. "E você vai ser o recado."
"Covardes..." forcei a respiração, o coração disparado.
Outro tapa veio, mais forte. O gosto metálico de sangue preencheu minha boca.
"Vai bater de novo, Célia?", cuspi, o olhar afiado como lâmina. "Por que seu homem não me solta? Aí ficaremos iguais. Ah, é claro… vocês só são valentes assim, me segurando. Porque, se eu estivesse livre, eu acabava com vocês dois."
Ela ergueu a mão outra vez, mas dessa vez eu me movi rápido. Segurei o pulso dela e torci pro lado, aproveitando o momento pra me livrar da mão de Eduardo que me prendia pelos cabelos.
"Ah!", ela gritou, recuando.
Eduardo tentou me segurar outra vez, mas eu já estava alerta.

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