Nate Donovan
Meu sangue ainda fervia.
As palavras rabiscadas no papel ecoavam na minha cabeça como uma sirene, junto com aquela foto tirada na cara dura.
Puxei o celular do bolso e comecei a digitar para Enzo. Não ia perder tempo, queria rastrear, encontrar e esmagar quem tivesse feito aquilo.
Antes que eu enviasse, a mão dela pousou sobre a minha.
“Preciso ir pra casa.”
Levantei o olhar devagar, prendendo o dela.
“Pra casa que aparece nessa foto? Você não vai mesmo.”
O cenho dela franziu. “Nate, não começa. A minha mãe está lá. Não vou mudar a minha vida inteira por causa de uma falsa ameaça. Qualquer um pode ter tirado isso dai.”
Soltei uma risada seca. “Falsa? Você realmente acha que isso aqui parece falso?” Levantei o envelope, chacoalhando na frente dela. “Lúcia, eles vão atrás de você assim que você baixar a guarda. E se não percebeu… não foi só pra você. Foi pra mim também. A foto estava no meu carro. Eles querem me atingir usando você.”
Ela abriu a boca pra responder, mas eu já a puxava contra o meu peito.
“Para de ser cabeça dura, por favor. Se for preciso, eu levo você e a sua mãe pra outro lugar. Mas não posso… nem por um segundo… imaginar vocês lá, vulneráveis.”
Senti o corpo dela hesitar contra o meu, mas ela se afastou, mordendo o lábio.
“Não é simples assim. Eu preciso conversar com a minha mãe.”
“Vocês podiam ficar na minha casa por um tempo. Eu tenho quartos, seguranças. Vocês ficariam seguras e bem instaladas.”
Ela soltou um riso curto, quase debochado. “Definitivamente não.”
Meu maxilar travou. “Por que não, Lúcia? Qual o problema?”
“O problema, Nate…” ela ergueu o queixo, firme “é que você não está percebendo o que está fazendo. Nós não somos nada um do outro. A gente só estava ficando, sem compromisso. E agora você quer que eu vá morar com você? Ficou louco?”
Ela deu um passo pra trás, e eu fui atrás, encurtando a distância.
“É isso que era, então? Sem compromisso?” Minha voz saiu baixa, mas carregada. “Bom saber. Porque eu achei que estava surgindo alguma coisa entre a gente. Mas se é assim… ok. Só não vou ficar tranquilo sabendo que você e sua mãe estão correndo risco por algo que eu causei.”
Ela ergueu o olhar, desafiadora. “Eduardo era um problema meu, e eu que te envolvi nisso.”
Soltei um riso curto, sem humor. “Ele seria um problema pra mim de qualquer jeito, no momento em que eu decidi comprar a DRTech. Então apenas unimos força para instigá-lo ainda mais.”
O olhar dela vacilou por um segundo. Ela cruzou os braços. “O que o Enzo quis dizer com ‘você já está destruindo o Eduardo’? O que você fez pra ele estar com tanta raiva assim de você?”
Eu respirei fundo, forçando minha voz a ficar estável. “Não é hora pra isso.” Dei um passo em direção ao carro. “Vamos sair daqui, Lúcia. Agora. Não é seguro pra nenhum de nós.”
Ela ficou imóvel por um segundo, e eu vi nos olhos dela que não estava convencida. Mas quando ergui a mão para abrir a porta do Porsche, percebi o que ainda estava preso ao vidro do passageiro.
Um segundo envelope.

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