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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 9

Nathaniel Donovan

Jones estava encostado na mesa, folheando o contrato com aquele cuidado irritante de quem sempre procura um defeito escondido.

"Tem certeza mesmo disso?" ele perguntou sem levantar os olhos.

"De quê?"

"Desse plano todo. Fingir ser assistente dela. Abrir mão do seu nome. Fingir que não manda nada."

Inclinei a cabeça, cruzando os braços.

"É o único jeito de ver tudo de perto. Você viu os relatórios, David. Os números simplesmente não fecham. Tem dinheiro sumindo em pequenos detalhes. Eduardo está claramente com um esquema e a Célia está do lado dele. São bons em esconder, cuidadosos o bastante para o antigo CEO nunca perceber. Não vão vacilar só porque apareceu um investidor."

Ele fechou o contrato devagar, os olhos avaliando cada palavra minha.

"Você acha que a demissão da Lúcia foi parte disso?"

Assenti, sem hesitar.

"Ela é: Relações Públicas. Tudo de imagem passa pela mão dela. Eles precisavam calar alguém que pudesse estragar o plano. Ainda mais agora que ele não tem mais o controle sobre ela."

Jones respirou fundo, coçando o queixo.

"E você acha que ela não está envolvida?"

Meu maxilar travou.

"Ela é teimosa, boca suja e orgulhosa demais pra ser cúmplice. Acredito que ela não sabe de nada disso, mas se souber... eu vou descobrir."

David ergueu uma sobrancelha, um meio sorriso brincando nos lábios.

"Você aposta bem alto por alguém que conheceu ontem."

Inclinei a cabeça, firme.

"É um palpite calculado."

Ele soltou um risinho baixo, carregado de ironia.

"Certo. Calculado." Ele girou o contrato nos dedos, batendo de leve. "Imagino que você tenha feito essas... análises profundas no beco ontem à noite?"

Revirei os olhos, bufando.

"Você entendeu o que eu quis dizer."

David balançou a cabeça, ainda se divertindo.

"Entendi. Você acha que ela é honesta. E você quer testá-la." Ele inclinou o corpo pra frente, o tom mais baixo e afiado. "Mas vai conseguir manter a cabeça fria quando ela estiver te mandando fazer planilhas e te ignorando na sala de reunião?"

Apertei o punho, respirando devagar.

"Ela não vai me ignorar."

David ergueu as mãos num gesto teatral.

"Ah, claro. Perdão. Esqueci que você é inesquecível."

O silêncio se estendeu por um segundo.

David arqueou as sobrancelhas, a voz baixa e provocadora:

"E você, Nate? Vai conseguir ignorá-la também?"

Trinquei o maxilar.

"Isso eu ainda estou decidindo."

Soltei uma risada curta, sem humor.

"Li os relatórios dela. Vi como apresentou ontem. Ela faz mais do que o cargo pedia. É eficiente. Honesta. E por algum motivo irritante... acha que consegue carregar o mundo nas costas sozinha."

David se endireitou devagar, os dedos tamborilando no contrato.

"Engraçado... Você fala quase como se fosse pessoal."

Suspirei, desviando o olhar para a janela.

"Ontem foi... complicado."

"Complicado?" Ele soltou um risinho contido. "Você saiu no meio da festa pra enfiar a língua na boca dela num beco."

"Não foi só isso." Minha voz saiu mais baixa.

Ele me estudou com atenção.

"Você acha que consegue manter distância? Vai mesmo conseguir se lembrar que isso é um trabalho, Nate?"

Revirei os olhos.

"Claro que vou. Sabe disso. Quando eu confundi trabalho com prazer?"

Jones relaxou na cadeira, soltando o ar.

"Você é um bastardo quando quer."

"E você me paga pra ser."

Jones balançou a cabeça, como quem já tinha ouvido demais, mas não comentou nada.

Eu chequei o relógio. Ela estava demorando.

O silêncio pesou na sala.

Suspirei e me empurrei para longe da parede, andando até o corredor. Parei em frente à porta do banheiro.

Foi quando ouvi o som abafado, um gemido baixo. Franzi a testa.

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