Nate Donovan
Entrei na sala de David sem bater, a raiva ainda queimando no peito. Os dois estavam lá. Enzo recostado na cadeira, David com os óculos na ponta do nariz, mexendo em uns papéis.
David ergueu o olhar primeiro.
"Então é verdade?" a voz dele tinha aquele tom irritante de quem acha que pegou alguém no pulo. "Você vai mesmo quitar um monte de dívidas que não são suas? Como ela te convenceu, Nate?"
Enzo soltou um riso curto, carregado de ironia.
"Eu disse pra tomar cuidado. Essa mulher..."
Meu olhar cortou o ar e calou os dois.
"Vocês realmente querem continuar por esse caminho?" perguntei, a voz baixa, mas firme.
O silêncio foi resposta suficiente. Respirei fundo, segurei o impulso de mandá-los à merda e fiz melhor. Cruzei a sala até a mesa de David e apertei o botão do telefone.
"Tereza, venha à sala do senhor Jones. Agora."
Eles se entreolharam, confusos.
Pouco depois, a porta se abriu e Tereza entrou, ajeitando a saia.
"Senhor Donovan, no que posso ser útil?"
Cruzei os braços.
— O que a Olivia é sua?
Ela piscou, sem entender aonde eu queria chegar.
"Ela é minha prima…considero como uma irmã. Crescemos juntas."
Assenti.
"E qual é a profissão dela?"
"Ela é cuidadora." A resposta veio automática.
"Ótimo. Agora me diga… qual é o emprego atual dela?"
Tereza hesitou, franzindo a testa.
"Senhor Donovan, está tudo bem?"
"Sim. Apenas responda."
Ela engoliu em seco.
"Ela está trabalhando para o senhor… cuidando da mãe da senhorita Mendes no hospital."
Enzo e David trocaram olhares, curiosos.
"E você sabe por que a mãe dela precisa de uma cuidadora?" continuei.
"Sei sim… mas a Lúcia me pediu discrição. Não queria preocupar a diretoria."
"Pode falar."
Tereza respirou fundo.
"A mãe da Lúcia tem diabetes tipo 1, com comorbidades."
Assenti lentamente, mantendo o olhar fixo nos dois à minha frente.

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