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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 94

Lúcia Mendes

A maca surgiu no corredor como um sopro de alívio. O lençol branco, os aparelhos sendo empurrados ao lado, e minha mãe deitada ali, pálida, mas com os olhos abertos.

"Mamãe!" Minha voz quebrou antes de eu perceber. Corri e agarrei a mão dela, fria, mas viva. "Você me deu o maior susto da minha vida."

Ela apertou meus dedos com força surpreendente. "Mas olha só pra você... parece que quem saiu de uma convulsão foi você. Tá toda descabelada, tremendo."

"Não brinca com isso." A lágrima escorreu sem eu conseguir segurar. "Eu achei que ia te perder."

"Ei, olha pra mim." Ela ergueu o queixo, altiva até na maca. "Eu tô aqui. Eu tô bem. Foi só... mais um susto do corpo, nada demais."

"Nada demais? Mãe, eu cheguei e não te encontrei, sabe o que eu pensei?!"

"Pois é, mas voltei. Não é a primeira vez que dou trabalho pros médicos, não vai ser a última."

"Você consegue brincar até com coisa séria, como pode?"

"Se eu não brincar, eu choro. E aí quem vai ter que me consolar é você. Prefiro rir."

Sorri de canto, mas o nó na garganta não soltava. Caminhei ao lado da maca até o quarto, sem soltar a mão dela. Quando a acomodaram de volta na cama, fiquei ali, ajeitando o travesseiro, as cobertas, como se meu toque fosse capaz de mantê-la presa à vida.

Conversamos sobre qualquer coisa. Do cachorro da vizinha, da novela que ela adorava criticar, do jeito estabanado do enfermeiro que derrubava tudo. Ela tentava me distrair. Eu tentava fingir que funcionava. Mas o coração ainda corria.

"Você sabe que não está dando certo, não é?"

"Não sei do que está falando." ela falou tentando se fazer de desentendida.

"Mãe, eu estou preocupada, sabe disso. Mas logo o remédio novo chega, e ai tudo vai voltar ao normal, você vai ver..."

"Dê que remédio novo você está falando, Lúcia?"

Minha respiração parou por um segundo.

"Um remédio experimental que o médico recomendou. Algo que vai te fazer sentir melhor."

Ela arqueou a sobrancelha, aquela expressão que me despia sem piedade. "Não enrola. O que você fez, Lúcia?"

Engoli seco. "Não é pra você se preocupar."

"Se preocupar é o que eu mais faço desde que você nasceu. O que você aprontou? Você sabe que não temos dinheiro pra esses remédios importados. Mal damos conta do básico. Você já tem conta demais minha filha."

"Eu disse, mãe. Não precisa se preocupar. Já está resolvido."

"Resolvido como?" A voz dela subiu, frágil, mas carregada de autoridade. "Você mexeu onde não devia? Se endividou mais? Vendeu o quê? Lúcia, olha pra mim!"

"Eu não vendi nada!" Rebati, num impulso que me fez levantar da cadeira. "E eu não vou deixar você morrer porque a gente não tem dinheiro, tá me ouvindo? Eu não vou."

O quarto ficou pequeno. O ar rarefeito.

"Então me diz de onde veio esse dinheiro, porque não caiu do céu."

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