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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 95

Lúcia Mendes

Ele levantou os olhos do celular e me encarou. Por um segundo, esqueci como respirar.

Eu não sabia o que dizer. Tantas palavras engasgadas, tantas emoções contraditórias. Acabei me enrolando num silêncio torto até que só uma palavra conseguiu escapar.

"Obrigada."

Ele franziu o cenho, como se não esperasse algo tão pequeno. Eu ajeitei o corpo na cadeira, o peito ardendo.

"Obrigada, Nate. Por tudo que fez por mim e pela minha mãe. Eu... vou acertar tudo com você. Você não precisava ter feito isso e sabe disso. Mas já que fez, considere que tenho uma dívida, e eu vou honrá-la."

Antes que eu pudesse me afastar, ele segurou minhas mãos. Quentes, firmes, atravessando a distância que eu tentava preservar.

"Eu fiz de coração, Lúcia." A voz dele veio baixa, mas certeira. "Você deveria ter me contado como as coisas estavam difíceis. Eu merecia saber. Achei que eramos mais do que dois conhecidos."

Sacudi a cabeça com força. "E não podia, porque você ia ficar com a impressão de que eu estava te pedindo ajuda. E eu nunca ia pedir nada disso. Nunca. Nós nos conhecemos há pouco tempo, Nate. E você já sabe mais sobre mim do que muita gente que está comigo há anos. Mas isso não muda o fato de que eu vou devolver tudo."

Ele apertou meus dedos, como se quisesse me prender ali. Depois, fez um carinho leve, passando o polegar sobre a minha pele. Meu coração vacilou.

"Eu não quero saber de dinheiro." O olhar dele queimava. "Eu quero saber de você. Como você está. Como está lidando com tudo isso, chaveirinho."

Olhei para o chão, incapaz de sustentar o olhar dele por muito tempo.

"Briguei com a minha mãe." Um riso amargo escapou. "Tudo por causa do medicamento que vem da Suíça. Eu ainda não tive coragem de contar que você quitou todas as nossas dívidas. Se você acha que eu sou complicada, é porque ainda não conhece a dona Maria. Ela acabou de me dizer que prefere morrer a continuar me vendo me afundar em dívidas." Balancei a cabeça, a voz embargando. "Como se eu fosse deixar uma coisa dessas acontecer..."

Um meio sorriso curvou os lábios dele. "Você é teimosa demais. Orgulhosa até o último fio de cabelo."

"Eu tenho a quem puxar." Suspirei fundo. "Desde que meu pai morreu, minha mãe nunca deixou faltar nada pra mim. Agora não posso deixar que ela passe por necessidades. Ela é tudo o que eu tenho."

"Lúcia, eu entendo. Mas precisa entender também que a sua mãe está assustada. Ela tem medo de te deixar... do mesmo jeito que você tem medo de perder ela. Não é que ela queira morrer, é que não quer ver você se destruindo pra mantê-la viva."

"Eu sei." Minha voz saiu baixa, carregada. "Mas ainda assim é difícil. Eu penso em tudo isso e parece que vou enlouquecer. Só queria acordar um dia e descobrir que acabou... que ela tá bem e que nossa vida voltou ao normal."

"Me deixa te ajudar com isso então..." o encarei, e vi uma verdade tão pura, que fez meu coração disparar.

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