Nate Donovan
O coração dela parou. Eu vi nos olhos.
E o meu disparou.
A proposta tinha saído da minha boca antes que eu pudesse pensar. Casa comigo. Simples, direto. Tão absurdo que até eu ouvi o eco. Mas agora, vendo a forma como ela me olhava, surpresa, atônita, percebi que não havia volta.
Lúcia riu, nervosa, como se precisasse quebrar o peso daquelas palavras. "Não. Você enlouqueceu, Nate. É doido. Casar com você, que loucura é essa?"
Ela se levantou, mas eu fui atrás, rápido. "Porque não?"
"Porque é óbvio!" A voz dela tremia de indignação. "Você acha que eu vou me casar só pra conseguir um plano de saúde pra minha mãe? Parece que você está me comprando!"
Bufei, frustrado, e puxei-a para um canto mais calmo do corredor, longe de olhares curiosos. Segurei firme, mas sem machucar.
"Não quero que pense desse jeito. É só uma forma de eu te ajudar. Podemos tratar como um contrato. Assim que as coisas se acalmarem e sua mãe estiver melhor, a gente se divorcia."
As palavras saíram rápido, impensadas. E no mesmo instante, a ideia de um divórcio me corroeu por dentro. Mentira. Nunca. Se ela aceitasse, eu ia fazer de tudo para que fosse pra sempre.
Ela me encarou com tensão nos olhos, os lábios trêmulos. "Por que está falando isso, Nate? O que você acha que vai ganhar casando comigo, além de uma bomba-relógio e um gasto enorme, financeiro e emocional?"
Aproximei-me mais, devagar, até meu rosto ficar a poucos centímetros do dela. Ergui a mão e acariciei sua face com cuidado.
"Não quero ganhar nada, Lúcia. Eu só quero que você fique bem nesse período. Que não precise se preocupar com nada além da sua mãe. Eu tiro esse peso das suas costas. Eu suporto tudo por você."
Ela encostou-se na parede, como se precisasse de apoio. Seus olhos marejados oscilavam entre resistência e entrega.
"Não sei... e se o amor da sua vida aparecer? E se você quiser estar com outra pessoa? Enquanto estiver casado comigo, não vai poder. E eu não vou aceitar mais ninguém na relação. Não vou ser uma esposa tonta, que não percebe as escapadas do marido."
Ri baixo, aproximando-me mais, até sentir sua respiração acelerar contra a minha.
"Eu não pretendo ter mais ninguém. Só você, Lúcia. Só você na minha cama."
Ela bufou, empurrando meu peito de leve, um gesto frágil diante do que realmente sentia.
"Quem disse que eu vou voltar pra sua cama? Você me propôs casamento, mas não está escrito em lugar nenhum que eu preciso cumprir todas as regras do matrimônio."
Sorri de lado, inclinei a cabeça e deixei a provocação escapar como veneno doce.
"Mas podemos nos divertir no processo, chaveirinho... ou já esqueceu como eu te deixo? Quer que eu te lembre?"
Vi seus olhos brilharem, a respiração dela acelerar. Ela estava à beira de ceder, quase presa outra vez no meu domínio.
Quase.

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