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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 97

Lúcia Mendes

Saí do corredor com o coração aos pulos. O ar parecia preso no meu peito, e cada passo ecoava como se fosse de outra pessoa. O impacto dele ainda latejava em mim.

O jeito como ele se aproximava, como me cercava, como dizia as coisas com aquela certeza que desmontava meus muros… Eu sentia vontade de ficar perto, de me perder naquele olhar escuro que me despia inteira.

E, ao mesmo tempo, a lembrança vinha como uma fisgada: ele tinha mexido na minha vida sem permissão, investigado minhas contas, descoberto coisas que eu jamais quis que ele soubesse.

Delicioso e manipulador. Atraente e insuportável.

Era essa a contradição que me consumia.

Respirei fundo na frente da porta, tentando juntar pedaços do que ainda restava de mim. Quando entrei, encontrei minha mãe se alimentando com calma, o rosto mais corado, como se nada tivesse acontecido.

"Olívia, pode nos dar um minuto?" perguntei, forçando um sorriso.

Ela assentiu de pronto. "Claro."

Assim que ficamos sozinhas, minha mãe pousou a colher e ergueu os olhos para mim.

"Se for pra você brigar comigo porque eu não quero ver você se matando por causa das contas, não adianta." A voz dela saiu firme, quase dura. "Isso não vai acontecer. Eu vou lutar por você com todas as forças até o meu último suspiro. Não vou aceitar que você deixe as dívidas e o desespero te consumirem. Jurei no leito de morte do seu pai que nada, nem ninguém, nos abalaria. Nem mesmo essa maldita doença. Então, não. Eu não aceito."

As palavras dela bateram fundo, atravessando como lâminas. Minhas mãos tremeram, e antes que eu pudesse controlar, já estava segurando as dela.

"Mãe… para… eu…" engoli em seco, o coração disparado. "Eu fui pedida em casamento."

Os olhos dela se arregalaram tanto que por um instante achei que fosse soltar a colher da mão. Ficou sem palavras, me encarando como se tivesse ouvido um absurdo. Até que sussurrou:

"Mas eu nem sabia que você estava namorando. Você não tinha terminado com o Eduardo? Você mesma disse que ele não prestava… então por que ele iria pedir?"

Uma risada nervosa escapou, curta e amarga. "Deus me livre, mãe. Se fosse o Eduardo, nem estaríamos tendo essa conversa."

Ela se ajeitou na cama, ainda incrédula. "Então como assim? Quem foi?"

Suspirei fundo, sem saber como colocar em palavras. "Meu chefe… que era meu assistente. Aquele que viajou comigo para Milão." Mordi o lábio, desviando os olhos. "A gente saiu algumas vezes, nos damos bem… e ele sabe o que estou passando. Ele queria me ajudar."

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