Aelyn
Acordei no meio da madrugada com uma sensação estranha no peito.
Não era uma dor aguda, mas um peso incômodo, como se meu coração estivesse cansado demais para bater no ritmo normal. Uma fadiga profunda se espalhava pelo meu tórax, acompanhada de um calor sutil que subia pela nuca. Respirei devagar, tentando não fazer barulho. Felipe dormia profundamente ao meu lado, um braço forte e possessivo ao redor da minha cintura, o rosto enterrado no meu pescoço, a respiração quente e constante contra minha pele.
Eu não quis acordá-lo.
Foi só o esforço, pensei, tentando me convencer. Exagerei um pouco hoje. Amanhã isso passa.
Fechei os olhos novamente e tentei voltar a dormir, mas o desconforto persistia. Meu corpo ainda estava sensível da nossa primeira vez, uma dorzinha gostosa entre as pernas, os músculos das coxas levemente doloridos, mas o peito era diferente. Era como se o coração reclamasse do cansaço, batendo um pouco mais forte, um pouco mais irregular.
Eu me mexi devagar, tentando sair de debaixo do braço dele sem acordá-lo. Consegui me virar de lado, de costas para ele. Encolhi os joelhos contra o peito e respirei fundo várias vezes, do jeito que o médico tinha me ensinado nas consultas.
Não adiantou.
Felipe se mexeu atrás de mim. O braço dele me puxou de volta contra o corpo quente, colando-me nele novamente.
"Lyn… tá tudo bem?", murmurou com a voz rouca de sono, o rosto ainda enterrado no meu cabelo.
"Sim… só tô me ajeitando", sussurrei, tentando soar tranquila.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Depois a mão grande subiu até meu peito, espalmada exatamente sobre a cicatriz, sentindo as batidas.
"Seu coração tá mais acelerado", disse, já mais desperto. A preocupação na voz dele era impossível de esconder. "Tá sentindo alguma coisa? Dor? Falta de ar?"
Eu hesitei. Não queria estragar a noite mais linda da minha vida. Não queria que ele se sentisse culpado por algo que eu também quis tanto.
"É só um cansaço… acho que exagerei um pouco hoje", respondi baixinho, virando o rosto para ele. "Mas tô bem. De verdade."
Felipe se apoiou no cotovelo e acendeu o abajur da mesinha de cabeceira. A luz suave iluminou o quarto. Ele me olhou com atenção, analisando meu rosto, a testa franzida. Depois colocou a mão novamente no meu peito, sentindo com mais calma.
"Você tá quente", murmurou, preocupado. "Está com febre?"
"Não sei… talvez um pouquinho."
![321. [Segunda Fase] - Foi só um susto 1](https://api.booktrk.com/assets/chapters/1540542/0.png?v=1779428917)

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