Felipe
Acordei com o corpo dela queimando contra o meu.
Aelyn estava muito mais quente do que quando eu tinha dormido. A pele dela ardia, e ela estava mole, quase sem forças, encolhida contra o meu peito. Toquei sua testa, estava molhada de suor e fervendo.
"Amor… Aelyn?"
Ela murmurou algo incoerente, mas não abriu os olhos direito. Meu coração disparou. Peguei o termômetro na mesinha e medi novamente.
39.6°C.
"Porra…"
Levantei da cama em um salto, o pânico tomando conta de mim. Vesti uma calça de moletom correndo e voltei para ela.
"Amor, acorda. A gente precisa ir pro hospital."
Ela negou devagar com a cabeça, a voz fraca:
"Não… vai passar… só deixa eu dormir…"
"Você tá com quase 40° de febre, Aelyn. Não vou esperar."
Ela tentou argumentar, mas a voz saiu arrastada. Eu não esperei. Peguei o celular e liguei direto pro Dr. Martins, o cardiologista dela. Ele atendeu no terceiro toque, voz de sono.
"Doutor, é o Felipe. A Aelyn acordou com febre alta. 39.6 agora. Ela tá mole, suada… durante a madrugada eu mediquei ela, mas não fez efeito."
"Traga ela agora", ele interrompeu, já acordado. "Pode ser uma reação ao esforço físico com a medicação, as vezes isso acontece. Diga ao médico o que aconteceu no dia de ontem para que ele entenda o caso. Chegue na emergência do San James. Vou ligar pra lá avisando que vocês estão indo. Chego lá em meia hora."
Desliguei e não pensei duas vezes.
"Lyn, nós vamos para o hospital. Se segura em mim."
"Eu não quero ir, quero ficar aqui, quietinha... me deixa dormir." passei meus braços por debaixo dela.
"Você precisa, eu vou te levantar agora, tá?" vê-la daquele jeito me deixava apavorado.
Peguei ela no colo. Aelyn se encolheu contra o meu peito, tremendo por causa da febre alta. Beijei sua testa quente várias vezes.
"Vai ficar tudo bem, amor. Eu tô aqui. Eu tô com você."
Eu não tinha certeza se acreditava nas minhas próprias palavras. O medo estava me sufocando.
O elevador pareceu demorar um eternidade para chegar ao estacionamento do prédio, e a cada minuto parecia que ela estava ainda mais quente.
Coloquei ela no banco do passageiro com cuidado, inclinei o banco e coloquei o cinto. Dirigi como um louco pelas ruas quase vazias às cinco da manhã. Cada semáforo vermelho parecia uma eternidade. Eu olhava para ela a cada segundo, a mão dela frouxa na minha.
Chegamos na emergência em tempo recorde. Estacionei em cima da calçada e gritei assim que abri a porta:

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