Os lábios de Aella se curvaram num sorriso de escárnio.
Então esta é a mãe de Vivienne — Jasmine Guinevere.
Que dia. Os problemas simplesmente não param de chegar, um atrás do outro.
Aella levantou-se da cadeira. Parando diante de Jasmine, enfiou as mãos nos bolsos do paletó branco.
— Senhora Guinevere — disse Aella, fria —, o que quer fazer por Vivienne é problema seu. Mas esta é a minha clínica. Se continuar falando assim, não vou manter a cordialidade.
Jasmine era orgulhosa, mas não tola.
Como dama da poderosa família Guinevere, jamais se rebaixaria a discutir com alguém como Aella. Isso só a faria parecer vulgar.
Ela se levantou com calma, encarando Aella com um olhar afiado.
Sua voz escorria de sarcasmo. — Já vi muita gente que quer fazer coisa errada e ainda manter boa reputação. Você diz que estou defendendo Vivienne — mas me diga, e quando o senhor Winter se machucou salvando você? O que aquilo significa?
— Foi escolha dele — respondeu Aella, sem alterar o tom.
— Estou divorciada de Tyrone — continuou. — Não temos mais nada um com o outro. Se sua filha vai se noivar ou casar com ele, não é da minha conta. Se quer atenção, procure o Tyrone, não a mim.
Jasmine assentiu, satisfeita. — Doutora Reid, vou lembrar do que disse hoje.
Assim que Jasmine saiu do consultório de Aella, Daniel bateu e entrou.
— Precisa de ajuda? — perguntou.
Aella suspirou e balançou a cabeça.
Daniel franziu o cenho. — Aella, a Vivienne e aquela Zera não jogam no mesmo campeonato. Os Guinevere são uma das famílias mais poderosas — duros, astutos, implacáveis. A Vivienne pode até ter boa reputação, mas a mãe dela é um pesadelo de lidar.
Ele continuou: — Os Guinevere só ligam para poder e lucro. Antes mesmo de você se casar com o senhor Winter, já queriam se aliar à família dele. Agora que você está divorciada, a senhora Guinevere claramente quer que isso aconteça. Se o Tyrone continuar agarrado a você, ela vai tratar de dificultar a sua vida.
Daniel ficou sério. — Se acontecer qualquer coisa, me promete que vai me avisar na hora.
Aella lhe deu um sorriso desamparado. — Daniel, não fiz nada de errado. Por isso, não tenho medo.
Ela decidiu enfrentar o que viesse.
Não procurava confusão, mas também não ia fugir dela.
De repente, Daniel disse: — Os Cunningham vão dar um jantar neste fim de semana. Se tiver tempo, vem comigo como minha acompanhante. Quero que conheça alguém.
Aella arqueou a sobrancelha. — Espera, os Cunningham? Uma das Oito Grandes Famílias?
Daniel assentiu. — Isso. George Cunningham acabou de voltar de Ressóvia. Vai dar uma festa para apresentar a nova esposa.
Aella piscou. Nova esposa? Ele não acabou de fazer cinquenta?
Daniel sorriu de lado e deu um peteleco em sua testa.

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