Dez minutos depois, Tyrone bateu à porta do escritório de Aella. Encontrou-a já lá dentro.
Ele ficou parado no vão da porta. Ela, do outro lado da sala. Por um instante, apenas se encararam em silêncio.
Aella conferiu o relógio no celular, o rosto gelado. "O Grupo Winter faliu, sr. Winter? Não precisa mais trabalhar?"
Tyrone entrou e pousou o café da manhã que trouxera sobre a mesa dela.
Seu olhar recaiu sobre outro pacote de café da manhã que já estava ali.
Aella percebeu para onde ele olhava e disse: "Pode ficar com o seu. Tenho trabalho a fazer. Não vou acompanhá-lo até a saída."
Ela pegou o outro café da manhã e se virou para sair. Num impulso, Tyrone segurou seu pulso.
Aella se virou bruscamente. "Vai levar isso para o Mason?" ele perguntou.
Aella arrancou a mão. "Isso te diz respeito?"
A expressão de Tyrone escureceu. Ele apontou para o pacote na mão dela. "Do seu bairro até aquele café, você teria de passar por pelo menos três semáforos e gastar mais trinta minutos só para chegar ao hospital. O que é que o Mason tem de tão especial para merecer isso?"
O tom de Aella era calmo e preciso. "Ele merece, sim. Acordei cedo para comprar, e vou alimentá-lo eu mesma se eu quiser. Algum problema com isso, sr. Winter?"
As palavras dela atingiram Tyrone como um soco no estômago.
A dor familiar no peito se espalhou depressa. Ele se agarrou à borda da mesa para se manter firme.
Quando Aella tentou passar por ele, Tyrone se curvou um pouco e bloqueou o caminho. "Aella", arfou, "meu estômago está doendo."
O rosto dela não se moveu. "Aqui é um hospital. Desça, pegue uma senha e peça para tirarem o que está te machucando."
Ela se virou para sair de novo, mas congelou com o som súbito atrás de si.
Tyrone tossiu e cuspiu uma golfada de sangue.
Aella, por puro instinto, largou o café da manhã e correu para ampará-lo. "O que aconteceu?"
Tyrone apoiou uma mão na mesa e com a outra apertou a dela.
Os olhos injetados, a voz embargada: "Você ainda se importa comigo, não se importa?"
Estavam tão próximos que sentiam a respiração um do outro. Aella sustentou o olhar dele e disse, firme e fria: "Sou médica. Você está num hospital. Não fico parada quando alguém corre risco."
Tyrone sacudiu a cabeça com força, a dor retorcendo-lhe o rosto. "Não acredito em você."
Aella soltou o braço do aperto de Tyrone. "Se fiz algo que te levou a entender errado", disse ela com calma, "vou fingir que nunca aconteceu."
As lágrimas lhe marejaram os olhos enquanto ela voltava a correr, seguindo os médicos que empurravam Tyrone rumo à emergência.
Ao passar por Aella no corredor, parou por um instante. Os olhos vermelhos, a expressão ferida, mas não disse nada.
Aella ficou ali, imóvel, vendo as portas do elevador se fecharem sobre a maca. Depois, saiu em silêncio.
Às oito da noite, Tyrone finalmente recobrou a consciência no quarto do hospital.
Tyrone abriu os olhos, fraco, e percorreu o quarto com o olhar. Os pais e Raine estavam ali, mas Aella, não.
O brilho se apagou em seus olhos. Ele fitou o teto, silencioso e vazio por dentro.
Gabriel entrou no quarto. Ralph avançou, a voz carregada de preocupação. "Doutor, como está meu filho? Fale a verdade. Quão grave é?"
Gabriel lançou um olhar a Tyrone, pálido e abatido no leito.
Antes que respondesse, Virginia se interpôs, o rosto tenso. "Doutor, por favor", disse com firmeza. "Conte-nos tudo."
Encurralado, Gabriel suspirou e deu o quadro completo.
Ao perceber o pânico deles, suavizou o tom: "Não fiquem tão alarmados. Se o sr. Winter evitar estresse emocional e mantiver o humor estável, vai se recuperar gradualmente. Sugiro agendar um especialista para ajudar a regular o sono. A condição gástrica exige cuidados de longo prazo — alimentação e emoções precisam de atenção constante. Preparem-se mentalmente. Não será um processo curto, mas, com paciência, ele vai melhorar."

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