Archie Simons –
Eu fui pego de surpresa quando Sabrina me ligou dizendo que estava na cidade.
Eu havia acabado de sair de uma reunião sobre os novos projetos futuros e confesso que nem assim, consegui manter a cabeça no lugar.
“Eu precisava ceder” – Era tudo o que eu estava pensando, ao relembrar das palavras de Olívia.
E confesso que, aceitar aquele café era para como uma pausa por alguns minutos; eu iria rever uma amiga querida e me distrair um pouco. Assim, poderia ter notícias de como estava o outro hotel que deixei na responsabilidade dela.
Dirigi até o restaurante, tendo a impressão de ver alguém conhecida dentro de um carro parado no trânsito local.
—Olívia? – Me questionei como um pensamento alto, tirando o telefone de dentro do bolso para a ligar.
Eu me preocupei; tive medo de que algo tivesse acontecido.
Respirei fundo algumas vezes, hesitando de ligar e então, guardei o celular, parando em frente ao Plaza café.
Desci do carro depois de estacioná-lo e me movi a entrada do lugar, mas antes de entrar, meu celular tocou me fazendo voltar para trás para atender.
Era ela!
—Precisamos conversar. Onde você está agora? Eu vou até você! – Disse ela me fazendo vincar as sobrancelhas. Aquilo foi estranho e repentino.
Soltei um suspiro e então a respondi.
—No Plaza café! – Falei desligando em seguida. Espero que ela tenha entendido para me encontrar aqui. Eu seria capaz de largar tudo para falar com ela.
Fiquei mais alguns instantes encarando o celular; quem sabe ela retornaria me perguntando se poderia vir ou tomaria a decisão de vir até mim?!
Espero ter deixado claro que eu estava disposto a isso.
Puxei o ar em meus pulmões e ajeitei meu terno, entrando no café.
Sabrina estava sentada na janela; ela sabia bem da vista que eu mais apreciava.
O vitrô enorme, dava uma vista silenciosa da cidade, onde todo o caos que acontecia lá fora era completamente abafado pela melodia de piano ao fundo.
—Já pediu?
—Oi querido, estava te esperando. Quer que eu vá fazer o pedido? – Perguntou ela com um sorriso meigo.
—Não, eu mesmo vou. Me espere aqui que logo teremos uma convidada! – Falei soltando um riso de volta, caminhando até o balcão.
Olívia gosta de Macchiato de caramelo; fui animado pedir um para ela. Quem sabe os pequenos detalhes voltasse a encantá-la.
Sorri fraco pensando em como ela ficava feliz quando essas coisas aconteciam antes; eu deveria ter insistido em encontrá-la para saber o que ouve.
E foi nesse momento que o arrependimento bateu.
Peguei o celular de dentro do bolso, olhando a tela enquanto voltava para mesa e de repente, vi Sabrina encarar fixamente a janela com uma expressão de satisfação.
E foi naquele momento que meu coração se apertou.
Olivia estava a olhando de volta e não percebeu quando estava prestes a ser atropelada.
Senti meu corpo gelar e sem pensar, sai correndo de lá, mesmo sabendo que não chegaria a tempo eu ainda tinha que tentar.
E foi quando aconteceu. Uma freada, pessoas gritando e buzinando e o corpo dela indo ao chão.
Eu não sabia o que fazer e nem por onde começar. Só sabia deixar a culpa ocupar minha mente e me corroer.
—Foi tudo culpa minha! – Falei sem pensar ouvindo o socorrista me olhar.
—O que disse? Tentou matar sua esposa?
—Não! Eu jamais faria isso! – Falei o olhando assustado. —Eu pedi para ela vir até mim e de repente tudo aconteceu. Nosso filho, o que faço?
—Senhor precisa se acalmar! Depois que chegarmos ao hospital, poderá tomar as atitudes cabíveis. Enquanto isso, mantenha o controle para passar tranquilidade para ela. Ela está sofrendo também! – Disse ele com coerência tentando me acalmar.
Respirei fundo e segurei a mão dela sentindo-a gelada.
—Amor, aguente firme. – Falei sentindo o veículo parar e então, a porta foi aberta. Os médicos pegaram a maca apressados e a levaram para dentro.
Assim que desci da ambulância, uma policial veio até mim.
—Senhor, encontramos o celular dela. Acho que iria querer ficar com isso.
—Obrigado! – Falei vendo o aparelho completamente destruído, mas ainda funcionando, já que ele tocou bem na minha mão.
—Alô? – Perguntei confuso ouvindo uma voz rouquenha do outro lado da ligação.
—Por que está com o telefone da minha neta? Onde ela está?
—Eu sinto muito! - Falei falho, sentindo o medo me tomar.
Ela então respondeu.
—Onde ela está? Eu quero vê-la!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: DE REPENTE 30 e o presente foi um filho para o meu chefe.