Na cabeça dele, talvez eu devesse estar desabando, chorando aos gritos, fazendo cena e perguntando o porquê.
Mas a minha calma, naquele momento, machucava muito mais do que qualquer escândalo.
Eu deixei escapar um sorriso leve:
— O que você queria que eu fizesse? Que eu caísse de joelhos chorando, te implorando para não trair mais, para não encostar mais na Mônica? Que eu pedisse, de mãos postas, para você olhar de novo para mim, para olhar para a Laís, é isso?
Os lábios do Augusto se moveram, mas ele não conseguiu dizer nada.
Ele realmente tinha pensado assim. Mesmo depois de tudo, ele ainda queria que eu fosse a mesma de antes, pronta para entender, engolir o choro e perdoar.
Só que, quando eu coloquei tudo em voz alta, até ele percebeu o quão absurdo, egoísta e vergonhoso aquilo era. Ele não teve coragem de admitir.
Ele começou a se justificar, todo atropelado:
— Me escuta, Débora. Naquela noite eu… Eu tinha bebido demais, eu juro. Eu achei que fosse você. Eu não fiz de propósito, eu…
Quanto mais ele falava, mais desesperado ele ficava, e mais o olhar dele fugia do meu.
Eu apenas continuei olhando para ele, tranquila, sem interromper e sem rebater, deixando que ele se enforcasse sozinho com aquele emaranhado de mentiras mal contadas.
Quando ele próprio não conseguiu mais seguir, e a voz dele foi murchando até quase sumir, eu perguntei, devagar:
— Você acredita mesmo nisso? Augusto, você consegue se convencer com esse discurso?
Augusto cambaleou um passo para trás e despencou na cadeira, exausto. Ele agarrou o próprio cabelo com as duas mãos, quase arrancando, e explodiu:
— Naquela noite eu estava fora de mim de raiva por sua causa! Você tinha me tirado do sério, eu perdi a cabeça de vez! Débora, eu não queria que fosse assim, eu não amo ela!
A voz dele saiu embargada, cheia de desespero, como o urro engasgado de um animal acuado.
Dentro de mim, porém, não existia mais nada. Só um deserto frio.
Aquele arrependimento tardio não significava mais nada para mim. Ele tinha machucado o meu coração tantas vezes que só restavam cicatrizes. E cada cicatriz me lembrava, com clareza cruel, que eu não podia voltar a cometer o mesmo erro.
O meu coração parecia que ia sair pela boca. Eu estendi a mão trêmula para pegar o celular e ligar para a Laís, mas vi o celular dela ali, quietinho, em cima da mesa de jantar.
Ali eu perdi de vez o controle. Eu saí disparada porta afora, e Augusto veio logo atrás de mim.
— Com certeza a Laís ouviu a nossa briga agora há pouco! — Augusto falava sem parar enquanto corria, num tom carregado de acusação. — Ela mais do que ninguém quer ver a gente junto. Qual é a criança que não quer os pais lado a lado? Só porque você gosta do Thiago não quer dizer que ela esteja pronta pra isso!
— Augusto, cala a boca! — Eu gritei, no limite, sentindo a raiva e o pânico se embolarem dentro do meu peito, prontos para me engolir inteira.
Nós chegamos quase aos tropeços na administração do condomínio, e o funcionário tratou de puxar as imagens das câmeras de segurança.
No monitor, aparecia a cena de dez minutos antes: Laís saindo sozinha pelo portão principal do prédio.
Só que, do lado de fora, havia um ponto cego, e as outras câmeras da rua não conseguiam mais acompanhar para onde ela tinha ido.
Eu e Augusto estávamos tomados pelo desespero. Augusto pegou o celular às pressas:
— Vamos chamar a polícia. Agora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...
Jura, que acabou desta forma? A mãe da Débora sumida continuou e ela nem perguntou kkkkk...
Uai, cadê o resto? A mãe da Débora não vai acordar? E o Cláudio e Alice? Oque vai acontecer com o Augusto? E a Bruno? Lorenzo? E a Mônica? Vai mostrar como ela ficou depois? Débora não vai dizer pra Alice que a mãe delas está viva ? Eu quero maaaaaais!!! ...
mas e a mãe da débora?! que o corpo sumiu?...