Entrar Via

Depois do Divórcio: Te quero de volta romance Capítulo 10

Anny Celik

Já fazia duas semanas que eu estava trabalhando como advogada do hospital. O ambiente era acolhedor, e eu finalmente sentia que estava seguindo em frente. Ter um espaço só meu também fazia diferença. Meu apartamento era pequeno, mas tinha minha cara. Era meu refúgio.

Leyla e Ferman continuavam sendo presenças constantes na minha vida, me oferecendo suporte de uma forma que eu não esperava, mas que agradecia profundamente. Quanto a Miguel, ele parecia ter desaparecido. Não o vi nem ouvi falar dele durante todo esse tempo, o que trouxe um misto de alívio e desconforto. Era estranho como sua ausência podia ser tão notável, mesmo quando eu achava que ela deveria ser indiferente para mim.

Naquela noite, o hospital organizava uma festa para arrecadar fundos para a ala pediátrica gratuita. Eu não era fã de eventos sociais, mas Marc insistiu que eu fosse. Ele sempre fazia questão de me incluir, de me lembrar que eu era importante e que merecia estar presente.

Me preparei com cuidado. Escolhi um vestido preto clássico, com decote discreto e caimento perfeito. Prendi o cabelo em um coque despretensioso, deixando algumas mechas soltas ao redor do rosto. Quando me olhei no espelho, senti um orgulho renovado. Aquela mulher refletida ali era diferente da Anny de semanas atrás.

Ao chegar à festa, percebi a sofisticação do evento. Luzes suaves iluminavam o salão, enquanto os convidados conversavam, riam e brindavam. A música era agradável, e o aroma de flores frescas preenchia o ar.

Encontrei Marc logo na entrada, cercado por colegas do hospital. Ele acenou para mim com um sorriso caloroso, e eu me aproximei. Porém, assim que cheguei perto, percebi uma figura ao seu lado. Miguel.

Meu coração deu um salto desconfortável, mas fiz o possível para disfarçar. Ele estava impecável, como sempre. O terno preto realçava sua postura confiante, e aquele olhar intenso parecia atravessar a sala, mesmo sem me encarar diretamente.

Decidi manter a distância. Peguei uma taça de vinho e mergulhei entre os convidados, tentando evitar qualquer interação. Passei a primeira hora da festa em uma espécie de dança evasiva, bebendo um pouco mais do que o normal e me refugiando em conversas rápidas e sem importância, sai um pouco para um espaço reservado e vazio.

Então, ouvi a voz dele.

— Oi, Anny. Você está bem?

Senti um arrepio, mas não me virei de imediato.

— Estou ótima — respondi, com um tom indiferente, ainda sem olhar para ele.

— Você está linda.

— Obrigada. Mas o que você está fazendo aqui? — perguntei, finalmente me virando para encará-lo. — Não é o espaço da festa. Eu só queria ficar longe de onde você está — menti, tentando soar desinteressada. — E agora preciso ir.

Antes que eu pudesse me afastar, senti sua mão em minha cintura. Seu toque era firme, mas não invasivo. Olhei para ele, surpresa, mas a intensidade em seus olhos me fez congelar.

— Não se mexa. Tem alguém me seguindo há algum tempo, e ele está armado. Apenas me abrace, Anny.

— Abraçar você? Nem pensar.

Mas antes que eu pudesse protestar mais, ele me puxou para mais perto, quase me prendendo contra ele. O cheiro familiar de seu perfume me envolveu, trazendo memórias que eu estava tentando enterrar.

Foi quando ouvi o som de um tiro.

Meu corpo enrijeceu, e me virei a tempo de ver um homem caindo no chão, a arma escorregando de sua mão. Dois seguranças apareceram quase instantaneamente, e Miguel me pegou nos braços, afastando-me daquele local.

— Miguel, o que está acontecendo? — perguntei, minha voz embargada pela confusão e pelo vinho.

— Vou te tirar daqui — ele respondeu, firme.

Ele se aproximou, pegou o cinto de segurança ao meu lado e o colocou cuidadosamente. O gesto, simples e carinhoso, me deixou sem palavras.

O silêncio entre nós era pesado, cheio de coisas não ditas. Mesmo bêbada, sentia cada palavra não dita pulsando no ar.

— Por que você está fazendo isso, Miguel? — perguntei, finalmente.

Ele desviou o olhar para o volante antes de responder.

— Porque, Anny... talvez eu tenha demorado demais para perceber o que você significa para mim.

Minhas emoções estavam uma bagunça, e as palavras dele só aumentavam a confusão. Fechei os olhos, tentando processar tudo.

— Você não tem o direito de me fazer sentir assim de novo. Não depois de tudo.

— Eu sei. Mas se existe uma chance, qualquer chance... não vou desistir de você.

A intensidade em sua voz me abalou. Eu sabia que estava vulnerável, que o álcool e o cansaço estavam me deixando mais emotiva do que o normal, mas as palavras dele pareciam sinceras de uma forma que eu não esperava.

Fiquei em silêncio o resto do caminho, sem saber como responder. A única coisa que tinha certeza era que Miguel ainda tinha um poder sobre mim que eu não queria admitir, mas eu não iria ceder e nem me entregar a ele nunca mais, da mesma forma que o amei, eu estava totalmente ferida e eu não mudaria a minha decisão de seguir em frente sem ele.

Continua...

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio: Te quero de volta