Anny Celik
Eu odiava estar ali. A mansão que um dia chamei de lar agora parecia um labirinto de lembranças que eu me esforcei tanto para enterrar. Assim que Miguel parou o carro e desceu para abrir minha porta, eu já sabia que aquilo não terminaria bem.
— Não vou ficar aqui, Miguel. Você não pode me obrigar a isso.
Saí do carro, tentando ignorar o peso do lugar e a proximidade dele. Cada passo que dava me deixava mais sufocada.
— Anny, espera.
Ignorei sua voz e continuei andando em direção à saída do portão. Foi quando senti sua mão segurando meu braço, me fazendo virar de frente para ele.
— Não vou deixar você ir, não até eu contar o que está acontecendo.
— Eu não pertenço mais à sua vida, Miguel. Não sou mais sua esposa, então tudo que for a respeito de você não é do meu interesse. Agora solte a minha mão. — Minhas palavras saíram mais afiadas do que eu esperava, mas eu queria que ele entendesse.
Os olhos dele brilharam com uma intensidade que me deixou desconfortável.
— Anny, por que você está complicando tudo? O único problemático aqui sou eu. Não faça isso.
— Não fazer isso? — Soltei uma risada amarga. — Você sabe quanto tempo eu suportei tudo que fez? O quanto me humilhei por um casamento que já estava fadado ao fracasso? Agora me pede para não fazer isso? Quem não tem que fazer é você.
Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente frustrado, mas eu não terminei.
— Mas você precisa entender que está em perigo!
— Eu sempre estive em perigo, Miguel, desde que me apaixonei por você. Então não tenho medo de nada. Você continua me machucando, mesmo com sua ausência, e agora quer me forçar a ficar aqui me sentindo protegida? — Me aproximei, apontando o dedo no peito dele. — O que você vê como proteção, eu vejo como prisão. E não vou deixar que nada, absolutamente nada, me aprisione a você novamente.


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