Capítulo Dezesseis!
Miguel Ylmaz Aksoy
A porta se fechou atrás de Anny, levando com ela qualquer resquício de controle que eu ainda tivesse. Meu corpo inteiro estava tenso, e a sala parecia pequena demais para conter a tempestade que se formava dentro de mim. Diana permaneceu no meio do salão, seus olhos fixos em mim, ardendo com uma mistura de raiva e mágoa.
— Então é isso? — ela disparou, sua voz cortando o silêncio como uma lâmina. — Você vai simplesmente deixá-la ir e me rejeitar de novo?
Passei a mão pelo cabelo, tentando organizar meus pensamentos, mas a única coisa que eu conseguia enxergar era o rosto de Anny. Seus olhos determinados, a firmeza com que ela se colocou diante de todos... Ela ainda era a mulher que me desafiava, que me fazia querer ser melhor, mesmo quando eu não sabia como.
— Diana... — comecei, mantendo minha voz o mais calma possível. — Eu nunca pedi nada disso a você.
Ela riu, um som amargo e cheio de desprezo.
— Claro que não pediu, Miguel! Você nunca pede nada, só toma o que quer e deixa o resto queimar! — Ela deu um passo à frente, apontando o dedo na minha direção. — Eu deixei meu casamento por você. Abandonei uma vida estável porque achei que você sentia algo por mim. E agora você vem me dizer que tudo isso foi um erro?
— Você deixou o seu casamento após quatro anos casada, porque ele já estava desmoronando, e nós dois sabemos disso. Eu nunca te prometi nada além de esperança.
— Você não está sendo honesto nem consigo mesmo, Miguel. Você está confuso. Está tentando convencê-la de que a ama, mas isso é só culpa. Culpa pelo que fez a ela.
Ela se aproximou, colocando as mãos no meu peito, mas eu recuei um passo.
— Diana, para com isso.
— Não, eu não vou parar! — Ela gritou, perdendo o controle. — Você acha que sabe o que está sentindo, mas está apenas tentando compensar os erros do passado. Você não ama Anny. Você só está preso a essa ideia, porque ela é agora o que você não pode ter.
Meu estômago revirou. Não porque ela estava errada, mas porque havia verdade nas palavras dela, e era uma verdade que eu não queria enfrentar. Sim, eu havia alimentado expectativas, quando a deixei no hotel, deixado que ela acreditasse em algo que nunca foi real. Mas, naquele momento, eu sabia que continuar com as mentiras só iria piorar as coisas.
— Eu sinto muito — falei, firme, mas sem hostilidade. — Você merece alguém que possa te amar de verdade, Diana. E eu... eu não sou esse homem.
Ela piscou, incrédula, como se minhas palavras tivessem sido um tapa em seu rosto. Antes que eu pudesse continuar, ela avançou mais um passo, agora perto o suficiente para que eu sentisse a intensidade de sua presença.
— Não diga isso, Miguel. Você não sabe o que está falando. — Sua voz suavizou, mas havia um tom de desespero ali. — Você está confuso, é isso. Essa mulher voltou e bagunçou tudo, mas eu sei que você sente algo por mim.
Ela ergueu a mão, tocando meu rosto. Meu instinto foi recuar, mas ela era rápida. Antes que eu percebesse, seus lábios estavam nos meus, em um beijo que deveria me convencer de algo. Mas, em vez disso, só me trouxe mais certeza.
Segurei seus ombros e a afastei com cuidado, mas de forma firme.


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