Anny Celik
Desci as escadas com o coração acelerado, a cabeça cheia de pensamentos e as palavras de Miguel ecoando na minha mente. A pasta com os documentos ainda pesava em minhas mãos, um lembrete físico do que acabara de acontecer. Antes que pudesse processar tudo, a porta da frente se abriu e Diana entrou, o som dos saltos ecoando no mármore. Seus olhos encontraram os meus, depois deslizaram para a pasta que eu segurava, e finalmente subiram para Miguel, que vinha logo atrás de mim.
— O que está acontecendo aqui? — Diana perguntou, sua voz carregada de desconfiança.
Parei no pé da escada, sentindo o olhar dela alternar entre mim e Miguel. Antes que eu pudesse responder, ele desceu os últimos degraus, parando ao meu lado.
— Isso não te diz respeito, Diana. — Ele falou com firmeza, mas sem hostilidade.
— Não me diz respeito? — Ela riu, incrédula, cruzando os braços. — Eu acho que me diz, sim, Miguel. Afinal, nós dois temos uma história. Ou você esqueceu?
Eu olhei para Miguel, esperando sua resposta, mas ele apenas manteve o olhar fixo em Diana, como se quisesse colocar um ponto final no assunto ali mesmo. Antes que ele pudesse dizer algo, outra voz soou na sala o barulho da porta se abrindo.
— Anny, precisa de uma carona? — Marc perguntou enquanto entrava pela porta principal, lançando um olhar curioso para mim e, em seguida, para Miguel e Diana.
Respirei fundo, vendo ali uma oportunidade de escapar daquele ambiente sufocante. Dei um passo em direção a Marc, mas Miguel segurou minha mão, interrompendo meu movimento.
— Não. — Sua voz soou firme, mas baixa, quase um sussurro. — Não quero que você vá, Anny, eu te levo.
Ele olhou para Diana e Marc, como se soubesse que estava prestes a cruzar uma linha sem volta.
— Quero reconquistar minha ex-esposa. — Ele anunciou, sua voz clara e sem hesitação. — Porque eu a quero de volta.
Um silêncio desconfortável tomou conta do ambiente. Marc franziu a testa, olhando de Miguel para mim, enquanto Diana deu um passo para trás, como se tivesse levado um golpe.
— O que você disse? — Diana perguntou, sua voz vacilando.
Miguel ignorou a pergunta dela e virou-se para mim, aproximando-se. Sua mão ainda segurava a minha, e ele sussurrou:
— Eles não sabem sobre o meu passado, sobre... quem eu realmente sou.
Por um momento, o ar parecia ter saído da sala. Olhei para ele, tentando entender o que ele estava pedindo de mim.
— Voltei para a mansão, sim. — Minha voz soou mais firme do que eu esperava, e virei-me para Marc e Diana. — Mas apenas como sócia e dona desta propriedade. Não estou aqui por Miguel, estou aqui pelos meus próprios interesses.
Marc olhou para mim com ceticismo, sua preocupação clara em seu semblante.
— Você tem certeza? Miguel não está te ameaçando?
Antes que eu pudesse responder, Diana avançou, colocando a mão no peito de Miguel, seus dedos deslizando pela camisa dele como se estivessem reivindicando um direito que ela acreditava ter.
— E quanto a nós, Miguel? — Diana perguntou, sua voz melosa.
Vi o corpo dele ficar tenso. Ele tirou as mãos dela de si, com cuidado, mas de forma decisiva.



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