Miguel Ylmaz Aksoy
O escritório de Anny era um espaço funcional e organizado, mas havia algo na energia daquele lugar que me deixou inquieto. Talvez fosse ela, com seu ar de profissionalismo e determinação, que sempre conseguia me desarmar. Ao sair de lá, o calor do momento ainda queimava sob minha pele, mas logo fui interrompido por uma figura inesperada no corredor: Marc. Ele estava encostado na parede, braços cruzados, como se já esperasse por mim.
— Miguel — chamou, sua voz cortante e carregada de tensão. — Precisamos conversar.
Eu sabia que esse encontro era inevitável. Não era segredo para mim que Marc nutria sentimentos por Anny, mas vê-lo ali, me encarando como se pudesse me despedaçar com o olhar, trouxe à tona a rivalidade que sempre pairou entre nós.
— Se quer conversar, Marc, faça isso rápido. Tenho mais o que fazer.
Ele bufou, claramente irritado com minha postura.
— O que exatamente você quer, Miguel? — perguntou, sua voz carregada de sarcasmo. — Porque, sinceramente, parece que você só está aqui para bagunçar a vida dela mais uma vez.
Cruzei os braços e o encarei de volta, mantendo minha voz baixa e controlada.
— Quero o mesmo que você, Marc. Só que há uma diferença entre nós: eu não vou desistir dela.
Marc deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal.
— Você já a machucou uma vez. Não acha que já fez estrago suficiente? — Seu tom era um misto de raiva e preocupação genuína. — Eu a vi juntar os pedaços depois que você a destruiu. Eu a ajudei a se reerguer. Então, deixe-me ser claro: se você a machucar de novo, Miguel, eu vou fazer de tudo para que você se arrependa.
Havia algo quase primitivo na forma como ele falou, e, por um momento, fiquei tentado a responder com a mesma intensidade. Mas em vez disso, respirei fundo e o encarei com calma.
— Você acha que eu não sei o que fiz, Marc? — perguntei, minha voz baixa, mas firme. — Acha que não carrego o peso de cada erro que cometi? Eu estou aqui porque a amo. E dessa vez, eu vou fazer as coisas certas, quer você goste disso ou não.
Marc riu, mas não havia humor em seu riso.
— Amar, Miguel? Você nem sabe o que isso significa.
Ele deu um último olhar carregado de desprezo antes de virar e sair, mas não antes de me lançar um último aviso.
— Apenas lembre-se: eu estou de olho em você.
Eu o observei desaparecer pelo corredor, sentindo a raiva e a frustração borbulharem dentro de mim. Mas havia algo mais forte do que isso: a determinação de provar que desta vez, eu era um homem diferente.
Algumas horas depois, com um buquê de flores nas mãos, entrei novamente no hospital. Anny estava em seu escritório, e sua expressão de surpresa ao me ver me fez sorrir.
— Miguel? O que você está fazendo aqui?

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