Anny Celik
Miguel me olhava como se o mundo ao redor não existisse, e, mesmo tentando ignorar, eu sentia meu corpo reagir àquela intensidade. Sentada à frente dele no restaurante, senti como se estivéssemos presos em uma bolha onde nada mais importava. Ele tinha esse poder, e isso me assustava.
O jantar seguia como um jogo de xadrez. Cada palavra trocada era um movimento calculado. Ele sempre foi assim, mestre em manipular o tabuleiro, mas eu estava determinada a não ser a peça que ele comandava.
— Você ainda não respondeu à minha proposta — ele disse, sua voz baixa e carregada de expectativa.
Desviei o olhar para o vinho no meu copo, girando-o levemente entre os dedos.
— Duas noites por semana para jantar, Miguel? Depois de tudo? É sério?
Ele apoiou os cotovelos na mesa, inclinando-se um pouco mais perto. O cheiro do perfume dele invadiu meus sentidos, uma mistura de notas amadeiradas e algo perigosamente familiar.
— Sim, Anny. Duas noites. Não estou pedindo muito.
Meu coração deu um salto, mas forcei um sorriso cínico.
— Não parece um pedido. Parece uma imposição, como sempre.
Miguel sorriu, aquele sorriso que sabia me desarmar. Era o sorriso de um homem que não aceitava perder.
— Você sabe que eu não desisto fácil.
— Talvez você devesse — retruquei, tentando soar fria.
Ele não respondeu. Em vez disso, seus olhos escanearam meu rosto, pousando brevemente nos meus lábios antes de encontrar os meus olhos novamente.
O silêncio entre nós era quase palpável, mas não durou muito. Miguel inclinou-se mais, e sua voz saiu em um sussurro:
— Esse vestido...
Engoli em seco, já antecipando o que viria.
— O que tem ele? — perguntei, tentando parecer indiferente.
— Você sabe exatamente o que ele tem — disse ele, a voz rouca. — Você está me matando, Anny.
Minha respiração ficou presa na garganta. Fingi não me abalar, mas o calor subindo pelo meu corpo me entregava.
— É só um vestido, Miguel.
Ele sorriu de lado, e antes que eu pudesse reagir, senti sua mão tocar de leve minha perna por baixo da mesa. Um arrepio percorreu minha espinha, mas me obriguei a manter o controle.
— Pare com isso — sussurrei, tentando afastar a mão dele discretamente.
— Por quê? — ele perguntou, como se estivesse genuinamente curioso. — Está incomodada?
— Miguel, não comece...
— Você está linda. Sempre esteve, mas hoje... você está me deixando louco.
Seus dedos subiram um pouco mais, o toque quente contra minha pele nua. Meu coração disparou, e um misto de raiva e desejo tomou conta de mim.
— Miguel, isso é inapropriado.
— E desde quando nos importamos com o que é apropriado?


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