Anny Celik
Ao sair da confeitaria, senti o ar frio da noite envolver meu corpo. A caminhada até meu apartamento era curta, mas o suficiente para me ajudar a organizar os pensamentos. Não consegui evitar que James invadisse minha mente novamente. Quem ele pensa que é para ser tão... presente? Sacudi a cabeça, tentando afastar a ideia. Eu precisava de paz, e meu lar era meu refúgio.
Cheguei ao prédio, passei pelo porteiro com um sorriso educado e subi até o meu andar. Coloquei a senha na porta, e o clique suave indicou que estava aberta. Empurrei-a com uma mão enquanto colocava chave na bolsa, mas congelei assim que entrei.
Minha sala estava repleta de buquês de rosas vermelhas. Havia flores em todos os cantos, sobre a mesa de centro, o aparador, o sofá. O perfume era intenso, quase opressor, e minha mente girava com perguntas.
Fechei a porta atrás de mim, meus olhos percorrendo o ambiente, buscando alguma pista de quem havia feito isso. Um envelope branco repousava no meio de um dos buquês maiores na mesa de jantar. Peguei-o com cuidado, meus dedos tremendo levemente.
Antes de abri-lo, peguei meu celular e disquei rapidamente para Miguel. Ele era o mais próximo e a única pessoa que poderia ter acesso ao meu apartamento sem minha permissão. Quando ele atendeu, fui direta:
— O que significa isso?
— Anny, eu... não posso falar agora. Preciso desligar. — Sua voz parecia apressada, quase ansiosa.
— Miguel, espera! — insisti, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ouvi o som do celular desligado.
Fiquei olhando para a tela, incrédula, antes de soltá-la no sofá e abrir o envelope. Dentro havia apenas um bilhete, escrito com uma caligrafia elegante e precisa:
“Para a mulher que ilumina até os meus dias mais sombrios. Isso é só o começo."
Meu coração acelerou, uma mistura de confusão, surpresa e algo mais que eu não queria nomear. Quem poderia ter feito isso? Miguel? Não parecia algo que ele faria, e sua resposta evasiva não ajudava. James? Não, impossível. Nós mal nos conhecemos, e apesar de sua confiança irritante, isso parecia... íntimo demais.
Respirei fundo e decidi que não iria perder a cabeça por causa disso. Comecei a recolher os cartões que acompanhavam os buquês, mas todos estavam em branco. Meu apartamento, normalmente tão organizado, parecia um jardim de rosas e isso me deixava desconfortável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio: Te quero de volta