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Depois do Divórcio: Te quero de volta romance Capítulo 25

Miguel Ylmaz

Eu nunca tive medo do fogo. Talvez por ser algo que sempre carreguei comigo, um calor constante, uma fagulha de raiva e determinação que me mantinha em pé. Mas hoje, ao encarar o telefone em minha mão, as palavras de Kemal ecoando como um trovão, percebi que o fogo que me consumia era muito mais destrutivo do que qualquer incêndio físico.

— Dessa vez foi apenas um incêndio sem danos, mas se não quer que sua irmã e todas as pessoas que ama acabem sendo queimadas vivas como sua mãe, espero que aceite meu acordo.

Ele sabia onde atingir. Meu peito apertava com a lembrança de minha mãe. Desliguei o telefone, incapaz de continuar ouvindo sua voz. Meus pensamentos estavam caóticos. Por mais que eu odiasse admitir, Kemal tinha razão: minha família era meu ponto fraco. Leyla, minha irmã... e agora até ela, a enigmática Anny Celik. A ideia de algo acontecendo com qualquer uma delas era insuportável.

Caminhei até o bar no canto do escritório, da minha mansão, servi um copo de uísque. Minhas mãos tremiam levemente, mas não pelo álcool. Era pela impotência. Desde que comecei essa vida, prometi que nunca me curvaria a ninguém. Mas agora, pela primeira vez, sentia as correntes da ameaça apertarem meu pescoço, por medo de perder quem eu amo.

O som da campainha cortou a quietude da noite. Franzi a testa, minha mente automaticamente considerando o pior. Quem estaria à porta a essa hora? Coloquei o copo na mesa e caminhei até a entrada, verificando a câmera antes de abrir.

Minha tensão cedeu, substituída por uma surpresa que eu não sabia como processar. Ela estava lá, de pé na penumbra, envolvida em um casaco pesado, seus olhos brilhando com uma mistura de preocupação e algo mais que eu não conseguia definir. Abri a porta.

— Anny? O que está fazendo aqui? — perguntei, tentando esconder o cansaço na voz.

Ela deu um passo hesitante para dentro, cruzando os braços como se tentasse se proteger do frio ou de algo mais profundo.

— Eu... não consegui dormir. — Sua voz era suave, mas havia uma determinação em seus olhos que me fez sentir exposto. — Depois da ligação que tive com você, fiquei preocupada. Está tudo bem?

Soltei um suspiro e passei a mão pelo cabelo. Ela não precisava saber. Não era justo envolvê-la nesse caos. Mas antes que eu pudesse formular uma desculpa convincente, ela continuou:

— Não minta para mim, Miguel. Eu conheço esse olhar.

Seus olhos me perfuravam, e pela primeira vez em anos, senti o peso de minha armadura começar a ceder.

— Não é algo com que você deva se preocupar, Anny. — Minha voz saiu mais fria do que eu pretendia.

Ela ergueu o queixo, desafiadora.

— Não sou uma criança que precisa ser protegida. Você sabe disso.

Dei um passo para trás, sinalizando para que ela entrasse. Fechei a porta atrás de nós e a conduzi até o sofá. Enquanto ela se sentava, peguei o uísque que havia deixado no escritório e voltei para a sala, tomando um longo gole antes de me sentar em frente a ela.

— Houve um incêndio. — Minha voz era firme, quase seca. — Em uma das minhas propriedades. Sem vítimas, sem danos graves.

Ela estreitou os olhos, inclinando-se ligeiramente para frente.

— Não parece algo que te abalaria tanto.

Engoli em seco. Era impressionante como ela podia ler minhas expressões com tanta facilidade, algo que poucas pessoas conseguiam fazer.

— Foi mais do que isso. Foi uma mensagem.

O silêncio que se seguiu era pesado. Seus olhos se suavizaram, e ela estendeu a mão, tocando meu braço.

— Miguel, se tem algo que posso fazer...

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