Miguel Ylmaz
Saí do hospital ainda com o gosto dos lábios de Anny nos meus. Ela era meu ponto fraco e minha maior força, mas também o motivo pelo qual eu não poderia relaxar. Não quando o mundo ao meu redor parecia conspirar para me derrubar. Entrei no carro e, com um aceno rápido para meu motorista, seguimos para a empresa.
O caminho foi silencioso, minha mente presa em pensamentos. A presença de James, aquele médico desgraçado, ainda martelava na minha cabeça. Mas isso era o de menos. O verdadeiro problema estava no passado que eu tentava enterrar, mas que insistia em voltar à superfície.
Ao chegar à empresa, mal tive tempo de entrar na minha sala quando um dos meus seguranças apareceu com um pacote.
— Isso chegou agora, senhor.
Peguei o envelope, notando imediatamente que não era um simples recado. Meu nome estava escrito em letras grandes e firmes, mas era o perfume que o acompanhava que fez meu estômago revirar. Diana.
Abri o pacote com cuidado, revelando algumas fotos e um bilhete curto. As imagens mostravam lugares e pessoas que eu conhecia muito bem, arquivos confidenciais de casos que poderiam arruinar minha carreira e, mais importante, colocar Anny em perigo. O bilhete, simples e direto, dizia:
"Se quiser manter seu pequeno mundo intacto, me encontre."
Não foi preciso mais nada para entender o que estava acontecendo. Diana, a mulher que um dia pensei ser minha verdadeira paixão. Ela não era o tipo de pessoa que se mexia sem um propósito maior. E se estava aqui, era porque Kemal, o homem por trás de tantos dos meus problemas, a havia mandado.
Respirei fundo, segurando a raiva que borbulhava dentro de mim. Diana podia ser manipuladora, mas eu sabia jogar melhor.
— Preparem o carro — disse ao segurança, minha voz firme.
Pouco depois, estava diante do hotel onde ela estava hospedada. Não precisei muito para passar pela segurança, afinal, eu conhecia Diana melhor do que ninguém. Quando entrei na suíte, ela estava à minha espera, sentada na cama com um sorriso que poderia derreter qualquer homem. Qualquer um, menos eu.
— Miguel... — ela começou, levantando-se com aquele ar de sedução. — Sabia que viria.
— E você sabia que eu não viria por você. — Minha resposta foi fria, calculada.
Antes que ela pudesse reagir, fiz sinal para meus homens entrarem. Eles seguraram Diana sem dificuldade, enquanto eu me aproximava com calma.
— O que está fazendo? — ela perguntou, sua voz agora carregada de preocupação.
— O que deveria ter feito desde o início.

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