Miguel Ylmaz
Eu sabia que Diana falaria. Ela sempre falava, quando pressionada do jeito certo. O problema nunca era conseguir a informação dela, mas sim separar a verdade das mentiras. E, naquele momento, minha paciência era tão fina quanto a linha entre o medo e o desespero que brilhava nos olhos dela.
— Fala, Diana. — Pressionei a arma contra sua testa, sem tremer. — Se eu tiver que perguntar de novo, vai doer.
Ela respirou fundo, fechando os olhos por um segundo. Quando os abriu, algo em sua expressão havia mudado. Resignação.
— Kemal está movendo tudo de novo, Miguel. — Sua voz estava baixa, quase um sussurro. — Ele acredita que você tem o arquivo completo do caso Canavar, aquele que conecta ele ao tráfico internacional.
— Continue. — Minha voz era dura, mas interiormente eu já começava a conectar as peças.
— Ele quer destruir você. Não só profissionalmente, mas pessoalmente também. Ele quer... ele quer Anny.
Meu coração parou por um segundo, mas meu rosto permaneceu inalterado.
— Isso não é novidade. Diga algo que eu não saiba, Diana.
Ela engoliu em seco, seu olhar vacilando enquanto tentava encontrar as palavras.
— Kemal tem um infiltrado no hospital. Um dos médicos. Ele quer usar Anny como isca, Miguel. Ele acha que pode fazer você trocar qualquer coisa por ela.
Senti a raiva queimando em meu peito. Claro que ele tentaria algo assim. Kemal sempre foi imprevisível, mas mexer com Anny era uma jogada perigosa até mesmo para ele.
— Quem é o infiltrado? — perguntei, minha voz agora um sussurro ameaçador.
Diana hesitou, mas sabia que não tinha escolha.
— James. — Ela disse o nome como se fosse um segredo mortal, e talvez fosse.
James. O mesmo maldito que não sabia a hora de recuar, que achava que podia competir comigo por Anny. Agora fazia sentido o porquê de ele estar a cercando.
Afastei a arma da cabeça de Diana, mas mantive meus olhos fixos nos dela.
— Eu devia acabar com você agora, Diana. Mas vou deixar você viver, por enquanto. Porque preciso de você para terminar o que começou.
Ela tentou esconder o alívio, mas era óbvio.
— Miguel, eu...
— Cale a boca. — Minha voz cortou qualquer tentativa de conversa. — Você vai ficar aqui até eu decidir o que fazer com você.
Virei-me para meus homens.
— Deixem-na amarrada. Quero alguém na porta 24 horas por dia. E limpem qualquer vestígio de que eu estive aqui.
Eles assentiram, prontos para agir.
Antes de sair, olhei para Diana mais uma vez.
— Se você estiver mentindo sobre alguma coisa... bem, você sabe o que acontece.
Ela não respondeu, apenas assentiu.
Saí do quarto com passos firmes, mas minha mente era um turbilhão. James. O desgraçado estava mais perto de Anny do que eu jamais poderia permitir. E Kemal? Ele havia cruzado uma linha que não poderia ser ignorada.
— Para o hospital. Agora. — Ordenei ao motorista assim que entrei no carro.
Eu precisava ver Anny. Precisava garantir que ela estava segura. E, mais do que isso, precisava começar a acabar com Kemal, peça por peça, antes que ele tentasse me atingir onde doía mais.
Ninguém tocaria no que era meu. Não enquanto eu respirasse.
Anny Celik
O dia no hospital estava a todo vapor, como sempre. Nos meus casos, preenchiam cada segundo, mas minha mente estava em outro lugar. O jeito que Miguel havia me beijado mais cedo ainda fazia meu corpo se arrepiar. Havia algo nele, um misto de perigo e segurança, que mexia comigo de formas que eu não sabia explicar.
Estava revisando um caso quando ouvi uma batida na porta.
Meu coração acelerou, não de excitação, mas de puro desconforto. Levantei-me rapidamente, mantendo distância.
— James, isso não é apropriado. Saia daqui.
— Por que você tem que ser tão difícil? — Ele deu mais um passo em minha direção. — Você sabe que sente algo por mim, Anny. Por que lutar contra isso?
— James, chega! — gritei, minha paciência se esgotando. — Saia da minha sala agora!
Mas ele não parou. Ele se aproximou ainda mais, o sorriso no rosto agora totalmente errado, sombrio. Quando ele estendeu a mão para me tocar, algo em mim explodiu.
Minha mão fechada encontrou o rosto dele em um soco que ecoou na sala. James cambaleou para trás, segurando a mandíbula, mas o sorriso perturbador ainda estava lá.
— Você não deveria ter feito isso, Anny.
Antes que eu pudesse reagir, ele avançou novamente, segurando meu braço com força e tentando me puxar para perto.
— Me solta! — gritei, lutando contra ele.
A porta se abriu com força, batendo contra a parede, e lá estava Miguel, os olhos como gelo puro. Ele não disse nada no início. Apenas olhou para James, segurando meu braço, e então para mim, o fogo da fúria queimando em seu olhar.
— Miguel... — comecei, mas ele já estava se movendo.
James se virou, mas antes que pudesse reagir, dei outro soco nele, desta vez mais forte. Ele caiu no chão com um grito de dor, e antes que pudesse se levantar, Miguel já tinha uma arma apontada para sua cabeça.
— Você já pode se considerar um homem morto, James. — A voz de Miguel era baixa, mortal.
O silêncio na sala era ensurdecedor. James estava no chão, os olhos arregalados de puro terror, enquanto Miguel mantinha a arma firme, sem nenhum tremor.
E eu, com a respiração ofegante e o coração disparado, sem saber o que aconteceria a seguir.
continua

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