Continuação...
Peguei na mão do Ricardo, fiz ele levantar e saímos andando. Um lugar tão bonito assim merece ser aproveitado.
Saímos caminhando, deixando Melissa e Henry para trás. Peguei no braço do Ricardo, me sentindo confortável com sua presença.
— Está num clube, querido. Tira essa camisa e mostra a perfeição por baixo. — Tentei provocá-lo, tentando deixá-lo mais à vontade.
— Não, não vou tirar. Essa camisa é levinha, cavada, está boa. — Ricardo argumentou, sem sequer olhar para mim. Percebo como ele é paciente, mesmo eu agindo como uma completa idiota hoje. Continua aqui, ao meu lado, como se nada tivesse acontecido.
— Preferia sem. — Ele sorriu tímido, mas percebo que está mesmo incomodado com o jeito que o tratei. Eu não deveria ter feito isso. Ficou chato e estranho. Paramos em frente a um dos quiosques.
— Pega ela para mim. — Falei, indicando Mia.
— Tenho medo de deixá-la cair, Bárbara. — Ele hesitou.
— Olha o tamanho desses braços. Não é possível que vai deixar essa pequena cair. — Coloquei Mia em seus braços e me afastei.
— Disse que não iria beber. — Ouvi ele comentar, e sorri.
— Não vou, dessa vez vamos tomar sorvete. Qual sabor você quer? — Perguntei, já sabendo a resposta, mas ele se negou. Ignorando, fui até o atendente e pedi nossos sorvetes.
Enquanto aguardava, fiquei observando Ricardo brincando com Mia. Ele parecia tão descontraído e carinhoso com ela que foi difícil não sorrir. Nunca imaginei vê-lo com um bebê nos braços.
Peguei nossos sorvetes e voltei.
— Eu não queria. — Ele insistiu.
— Pega, vai. Sei que gosta de morango com baunilha. — Entreguei o sorvete a ele, que pegou com uma expressão de rendição.
— Gosto mesmo. — Ele admitiu, enquanto Mia tentava pegar o sorvete de sua mão. Ele deu algumas colheradas a ela. — Seus pais não podem ver isso, guarda segredo, pequena. — Ricardo falou baixo, como se estivesse confidenciando algo. Era lindo vê-lo interagindo com ela desse jeito.
— Ela parece sua filha. — Comentei, sorrindo.
— Ah, para, Bárbara. Que loucura é essa?
— Nunca pensou em ser pai? — Perguntei, curiosa. Nunca o ouvi falar sobre filhos ou casamento, mas ele parecia ter um lado paternal.
— Várias vezes já parei para pensar, mas não quero ter filho sem estar com a mãe. Também não acho certo ter filho só por vontade. Penso que é preciso tempo, dedicação. Ser pai não é um título, é uma responsabilidade. — Ele falou devagar, sua voz refletindo calma e convicção.
— Nossa, perfeito. — Admirei, quase sem perceber. — Será um pai perfeito. — Corrigi-me, tentando disfarçar o quanto fiquei impressionada.
— E você, já pensou na maternidade? — Ele devolveu a pergunta. — Acho que não, não é?
— Por que acha isso? — Questionei, meio na defensiva.
— Quando falamos de responsabilidade, você comentou sobre filhos.
— É verdade. Não penso mesmo. Para ser sincera, acho que seria injusto colocar um bebê no mundo sendo quem eu sou.
— Penso que muita coisa muda quando você realmente quer. Mas não te julgo por isso, até admiro sua honestidade. — Ele respondeu, com aquele jeito compreensivo que mexe comigo.
Estávamos conversando tranquilamente, e senti que era o momento de me desculpar.
— Sei que te tratei com indiferença, Ricardo, e... — Antes que eu pudesse terminar, ele me interrompeu.

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