Continuação...
— Não fala assim, amiga, parece até que a Renata é mais importante para ele do que você. E ela não é. — Bárbara comentou, me fazendo rir.
— Você é demais, Bárbara. Mas não dou duas semanas para eles assumirem que estão juntos. — Disse, expressando o que realmente penso. — Agora vamos nos arrumar, ou a gente não sai, né?
— Claro que vamos. Esqueci minha roupa, mas vou buscar e já volto, ok?
— Vai lá, estou te esperando. Seu pai passou aqui hoje e ficou um bom tempo.
— Vou falar com ele sobre o Henry. Essa história de ele vir aqui todos os dias não está legal para você. — Ela falou, mexendo no meu cabelo.
— Não fale nada. Só quero que a Mia não sofra com a ausência dele. Logo as coisas entram nos eixos.
— Amiga, você está falando isso há três semanas e tudo continua igual ou até pior. Ele poderia vir em um horário em que você não esteja em casa. Caramba! É impossível superar quando ele aparece todos os dias. Vi no seu olhar que ele ainda mexe com você. — Bárbara disse, me fazendo refletir.
— É normal, Bárbara. É tudo muito recente. Pode até doer agora, mas tudo passa.
— Eu não teria essa paciência. Se acabou, que vá de uma vez.
— O que posso fazer? Temos a Mia, e eu não quero que ela cresça sem pai, como vocês cresceram. Se ele não procurá-la, aí é outra história. Mas eu não farei questão de afastá-la dele. — Falei, ajeitando a sala.
— Ter filho é maravilhoso, mas numa separação é complicado. Quando não tem filho envolvido, é só largar e nunca mais ver a pessoa. Me preocupo com você, amiga. Conheço meu irmão; mesmo que arrume outra mulher ou tenha outro filho por aí, ele não vai deixar de procurar a Mia. Mas você... vai se machucar toda vez que tiver que vê-lo aqui, na sua casa. — As palavras dela me fizeram pensar em "outros filhos" e caí na realidade.
— Nossa, agora o baque bateu. Imagina ele tendo mais filhos... Se já não tem algum no forno, né? Porque ele nunca gostou de se prevenir. Já pensou a Renata tendo um filho dele? — Falei baixinho, olhando para a porta e escada para ter certeza de que ele não estava por perto.
— Nossa, aí ele arruína a vida! Se ela já quer mandar nele sem ter filho, imagina se tiver um. Mas, amiga, ele não gosta dela.
— Não se engane, Bárbara.
— Ah, o homem não pensa, por isso que não me apego. — Ela respondeu, com seu jeito leve.
— Sabe, preciso ser como você: só beijar, dar uns rolês e seguir em frente. — Falei, gargalhando.

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