Me aproximei da minha mãe enquanto Ricardo seguia na direção de Eduardo. Ele o chamou para conversar lá fora, enquanto eu peguei a mão da minha mãe e, ainda de pé, trouxe sua cabeça para repousar no meu peito. Ela chorava e me pedia ajuda. Tudo o que eu queria era que ela se abrisse comigo, mas, na condição em que estava, eu não a forçaria a dizer nada.
— Calma, mãe. Eu tô aqui, tô aqui com a senhora. — Tentei acalmá-la.
— O Henry me odeia, filha. Ele me odeia.
— Não, mãe. Você sabe como o Henry é, igualzinho à senhora: rude, grosso e, muitas vezes, insensível. Mas logo passa. Foi só o choque. Daqui a pouco ele volta e conversa com a senhora.
— Eu conheço meu filho. Ele está me odiando. Meu Deus, tanto fiz para que isso não acontecesse. Queria que Deus me levasse de uma vez para acabar com tanto sofrimento na vida de vocês.
— Mãe, pelo amor de Deus, b**e nessa boca ou eu mesma bato! Pare com isso. O Henry é adulto e precisa entender que a vida nem sempre é como queremos.
— Você me entende?
— Claro, mãe. Fique tranquila. Não vou te forçar a falar. — Tentei ser sensível, mesmo com mil perguntas explodindo na minha mente.
— Eu quero falar, filha. Preciso, antes que eu morra sufocada com isso dentro de mim. — Ela falou, e eu me sentei à sua frente, permanecendo em silêncio, tentando raciocinar.
— Eu e o Eduardo estamos nos conhecendo, filha. Não foi nenhum mal-entendido o que vocês viram aqui. Ele tem me feito muito bem. — Disse, com o olhar baixo, como se tivesse vergonha de me revelar isso.
Ergui o rosto dela e lhe dei um sorriso.
— Tudo o que eu mais queria na vida era que a senhora tivesse alguém ao seu lado de novo. Não vou mentir, não esperava que essa pessoa fosse o Eduardo. Na boa, nunca passou pela minha cabeça. Por mais estranho que seja, o Edu é legal. E, se ele não te fizer sofrer, pra mim está tudo bem. — Falei, vendo-a extremamente emotiva. A pressão dela estava sendo monitorada e, a cada minuto, caía mais.
— Mãe, vou ter que te deixar nervosa para essa pressão aumentar? Sabe que sou craque nisso, né? — Sorri, tentando aliviar o clima, e ela abriu os braços para me dar um abraço.
Estou muito preocupada. Na boa, não quero que minha mãe sofra. E, se ela sofrer, juro que mato o Eduardo com minhas próprias mãos.
— Eu te amo, filha. Obrigado por ser tão especial.
— Viu? Não sou tão desajuizada assim.
— Me dá medo, filha. Acho que é essa sua falta de juízo que faz com que você aceite as coisas tão facilmente. — Sorrimos uma para a outra.
— Hum… Agora entendi a mudança repentina da dona controladora. Está controlando o namorado, né, dona Elisângela?
— Não fale assim, minha filha. Você não sabe a vergonha que estou sentindo.
— Vergonha de quê? Não é a senhora que sempre diz que vergonha é roubar e não poder carregar? Pare com isso. Não tem que ter vergonha de nada. Se falar assim com o Henry, ele vai jogar toda a banca de sabichão em cima da senhora, e você sabe bem como ele é.
— Não fale assim dele. Ele tem razão de não querer me ouvir. Eu sempre julguei a mulher dele, agora ele vai fazer o mesmo comigo. E daí só vai se distanciar mais. Isso está me matando aos poucos, filha.
— Ele não vai fazer isso, mãe. Seu filho está mudando, confie em mim. Eu vou falar com ele, tá bom?
— Obrigado, filha. E, por favor, não conte a ninguém sobre isso.

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