Melissa
Eu não sabia o que pensar. O enjoo me consumia e, nesse momento, minha mente parecia uma tempestade. Achei que estávamos finalmente livres daquela mulher, que ela havia seguido sua vida e encontrado a felicidade longe de nós. Que tola eu fui. Pelo que vejo agora, ela está mais descontrolada do que nunca. Não, descontrolada não... Fanática. Obsessiva. Capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer. É triste — não, é aterrorizante — ver alguém afundar tão fundo.
Olhei para ela, lutando contra a náusea que o odor no ar me provocava. Era fumaça. Forte e sufocante.
— O que você quer? Não se cansa? Vai ser feliz, Renata, me deixe em paz! — Minha voz saiu trêmula, mas tentei manter a calma. Meus nervos estavam em frangalhos. Eu precisava entender o que ela estava fazendo aqui. Percebi que algo estava errado. Não só com ela, mas comigo também. Meu estômago revirava a cada respiração. Ela sorriu. Um sorriso frio, carregado de algo que me fez estremecer.
— Achou que iria se livrar de mim tão fácil assim? — Renata virou a garrafa de bebida em um único gole, seus olhos faiscando de raiva. Em seguida, num movimento brusco, arremessou a garrafa contra a parede. O som do vidro se estilhaçando me fez pular de susto. Mas ela não parou. Pegou um dos cacos pontiagudos, segurando-o com firmeza. Meu coração disparou.
— Saia! O que você quer? Vai embora, Renata! Vai ser feliz e pare de se humilhar! — Gritei, tentando fechar a porta. Meu corpo tremia, mas ela era rápida. Pressionou o corpo contra a porta, impedindo que eu a fechasse.
— Safada, cachorra! Eu quero a vida que você me roubou! Quero tudo de volta! — Renata berrava, sua voz carregada de ódio. Instintivamente, levei as mãos à minha barriga, num gesto de proteção. Foi um erro. O movimento chamou sua atenção. Seus olhos estreitaram, cheios de fúria.
— O que é isso? Está grávida, sua m*****a?! — Sua raiva transbordou. Ela se aproximou com o pedaço de vidro erguido. Meu coração parecia que ia explodir. Por Deus, não me deixe morrer. Não nas mãos dela. Isso, não.
— Renata, por favor, pare com isso! Eu nunca fiz nada contra você. Por favor, não faça nada! — Supliquei, erguendo as mãos numa tentativa desesperada de afastá-la. Mas ela estava implacável. Seus passos firmes a levaram cada vez mais perto. Num instante, agarrou meus cabelos, puxando-os com força. A dor me fez soltar um gemido.
— Você não faz ideia do que Henry e eu fazíamos nas viagens! Esse filho na sua barriga podia ser meu! Eu levava o Henry ao delírio, e era por isso que ele nem queria voltar pra casa! — Ela sibilou em meu ouvido, despejando seu veneno. Mas suas palavras não me atingiram. Eu sabia que eram tentativas frustradas de me destruir por dentro. Só que antes que eu pudesse reagir, ela me puxou novamente pelos cabelos, me obrigando a andar.

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