Ao chegar ao pé da escada, ouvi gritos abafados do lado de fora. Alguém tentava abrir a porta da frente, mas os vidros temperados impediam qualquer avanço. A fumaça estava ficando insuportável. Começamos a tossir, mas Renata parecia ignorar o próprio corpo, continuando a me empurrar na direção das chamas.
— Pare, Renata! Ainda há tempo! Tem uma saída de emergência! — Minha voz era um fio de esperança, mas sua resposta foi uma gargalhada cortante, cheia de crueldade.
— HAHAHA! Está trancada, acha que não pensei nisso? Vai lá e morra tentando sair! — Meu peito ardia, tanto pelo fumo quanto pela raiva. Uma raiva que nunca havia sentido antes. Aquele ódio fervia em mim, me impulsionando, mas eu ainda estava presa no medo.
Renata se aproximou, tossindo, mas ainda firme.
— Olha só que maravilha... Vamos morrer aqui, as duas mulheres que o Henry ama, e mais um bebê. Só sobrará a pequena Mia. Quer destruição maior que essa? Me sinto vingada! — Sua voz carregava uma satisfação doentia. Meu coração apertou. Não restavam dúvidas: ela não queria só destruir meus sonhos. Ela queria destruir tudo — eu, meu bebê, minha vida.
Minha sobrevivência dependia de agir. Não havia escolha.
Empurrei Renata com toda a força que consegui reunir. Ela cambaleou para trás, perdendo o equilíbrio por um momento. Aproveitei a oportunidade e corri. As escadas pareciam intermináveis, cada degrau era um desafio contra a tontura e a fraqueza que tomavam conta de mim. Minha cabeça girava, e o ar parecia mais espesso a cada segundo. Eu precisava alcançar o banheiro no andar de cima. Era minha única chance.
Cheguei andar de cima e fechei a porta de vidro, mas sabia que era inútil. Não havia chave. Renata logo veio atrás. Seus gritos eram como navalhas no meu ouvido, misturados com os sons das batidas de seu corpo contra a porta.
— Sua desgraçada! Cachorra! Eu vou te matar! — Ela esbravejava, tossindo em meio à fumaça. Eu me pressionava contra a porta, segurando-a com todo o peso do meu corpo. Minhas mãos tremiam, meus braços doíam. Queria que a fumaça a vencesse, que ela finalmente cedesse. Mas Renata parecia alimentada por uma energia sombria, insana. Ela não desistiria.
Eu já não aguentava mais. Meu corpo fraquejava. A fumaça me consumia, invadindo meus pulmões e minha mente. Então, com um golpe desesperado, Renata abriu a porta com o peso de seu corpo. Ela estava ali, diante de mim, olhos brilhando de loucura, pronta para o próximo ataque.
— Me deixa, sua louca! Some! Inútil, vadia! — Gritei, partindo para cima dela, tomada pela adrenalina e pelo desespero. — Acha que vai se vingar assim? Não vai chegar a lugar nenhum com isso! — Minhas palavras eram uma mistura de fúria e medo, enquanto nos engalfinhávamos em uma luta corporal caótica.
Para minha sorte, a garrafa que ela carregava tinha ficado lá embaixo. Segurei seus cabelos com força, puxando-os para baixo enquanto minhas unhas arranhavam seu rosto. Renata gritava de dor e ódio, tentando de todas as formas me atingir. Percebi que seus chutes e murros eram direcionados à minha barriga. Meu instinto de proteção se acendeu como uma chama. Essa luta não era apenas por mim. Era pela vida do meu filho.
Apesar da dor dos golpes que ela conseguiu acertar, o sangue quente que pulsava em minhas veias parecia anestesiar tudo. De repente, senti seus braços tentando se fechar em volta do meu pescoço. Ela me agarrou por trás, apertando com uma força que tirava meu ar.
— Se eu não ficar com o Henry, nenhuma de nós vai ficar! Vou destruir a sua vida e a dele, como vocês destruíram a minha! — Sua voz estava carregada de ódio, cada palavra me fazia sentir o peso da sua insanidade.
— Isso é o que vamos ver, sua louca! — Respondi com fúria, e caímos no chão. Rolamos, lutando como duas feras em um combate desesperado. Ela tentou me dar joelhadas enquanto eu me debatia, até conseguir me soltar de seu aperto. Rolei para o lado, tentando ganhar distância.
Renata ajoelhou-se, ofegante, e me encarou com um olhar de puro ódio. Seus olhos brilhavam com uma loucura que parecia impossível de deter. Ela engatinhou em minha direção, como uma predadora. Entrei debaixo da mesa na tentativa de escapar, mas sua obsessão a cegava. Com tanta pressa em me alcançar, ela bateu a testa na quina da mesa com força.
— MERDAAAAA! EU VOU TE MATAR, MELISSA! — Ela gritou, e o som da sua voz parecia um eco aterrorizante em meio ao caos. O sangue escorrendo por sua testa me embrulhou o estômago, mas eu não podia parar. Tudo o que importava era me defender. Meu foco era sobreviver.
Antes que ela pudesse me alcançar, agarrou minhas pernas e tentou me puxar. Em pânico, comecei a chutá-la com toda a força que tinha. Um dos chutes acertou sua testa, exatamente onde estava o ferimento. Ela gritou de dor, cambaleando para trás. Por um momento, pareceu desnorteada, gemendo enquanto colocava a mão na testa.

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