Versão Henry
Henry
Ricardo ainda estava comigo na sala quando meu celular tocou. Era Bárbara. Sua voz estava carregada de pânico.
— A loja está pegando fogo! — ela gritou, e minhas pernas pareceram ceder por um instante. Fogo? Como assim? Meu coração disparou, e um misto de desespero e incredulidade tomou conta de mim.
Sem pensar, saí correndo, Ricardo me seguindo. A ideia de Melissa estar lá dentro era insuportável.
Entrei no carro, mas minha mente já não funcionava direito. Tudo o que eu queria era estar lá agora. O trajeto parecia uma eternidade em minha cabeça. Por que diabos ainda não inventaram teletransporte?
— Sai daí, irmão. Você precisa chegar inteiro pra ajudar. Deixa que eu dirijo. Você não está em condições. — Ricardo disse com firmeza. Sem discutir, passei para o banco do passageiro. Não era hora de teimosias.
Ele enfiou o pé no acelerador, e o carro arrancou. Mas o caminho parecia interminável. Minutos pareciam horas. Eu não conseguia parar de falar com Bárbara no viva-voz, tentando entender o que estava acontecendo, mas sua voz trêmula só aumentava meu desespero. Ela chorava, incapaz de lidar com a situação.
— Olha a saída de emergência, Bárbara! Consegue abrir? — perguntei, mas sua resposta foi como um soco no estômago.
— Eu tentei, Henry, mas está trancada! — A voz dela era quase um grito. Meu peito apertou.
Isso não é normal. Um curto-circuito? Assim do nada? Algo estava errado. Muito errado.
Tentei ligar para Melissa várias vezes, mas o celular só chamava. O silêncio do outro lado da linha era ensurdecedor. Cada toque sem resposta era um golpe.
E como se não bastasse, o trânsito estava insuportável. A cada carro que nos bloqueava, minha raiva só crescia. Coloquei metade do corpo para fora da janela enquanto Ricardo buzinava como um louco.
— Saiam da frente, porra! — gritei, minha voz carregada de frustração. Mas parecia que ninguém se movia. Esses idiotas pareciam mais preocupados com multas do que com a emergência. Minha vontade era de sair correndo dali, mas sabia que não chegaria a tempo.
— Inferno, saiam da frente, caralh000! — Voltei para dentro do carro, socando o painel com força. Ricardo tentava manter o controle da situação.
— Bárbara, acalme-se. Você precisa se controlar. — Ele falava com firmeza, mas minha irmã só chorava mais.
— Estamos tentando arrombar a porta da frente, mas não conseguimos! — Ela soluçava.
Claro que não conseguem. Eu sabia que as portas de vidro temperado eram praticamente inquebráveis. Saber disso só aumentava meu desespero.
— Bárbara, lá em cima tem fogo? Consegue ver alguma coisa? — Perguntei, minha voz tremendo de ansiedade.
— As janelas estão fechadas! Não dá pra ver nada! — Ela gritou.
— Droga! Não pode ser! — Soltei um soco no painel, que ameaçava despencar de tanto apanhar.
— Irmão, calma. Bárbara, sua mãe está aí? — Ricardo perguntou, tentando manter alguma lógica no caos.
— Está. Já ligou para os bombeiros umas vinte vezes, mas eles ainda não chegaram! — Bárbara parecia à beira de um colapso.
— O batalhão é distante. Eles vão chegar. — Ricardo tentou tranquilizá-la.
— Ai, meu Deus, a Melissa… A MELISSA! Não deixa nada acontecer com ela! — Bárbara chorava, e sua voz ecoava como uma premonição na minha cabeça.
Melissa. Meu Deus, Melissa. A ideia de perdê-la era insuportável. Não podia acontecer. Não com ela. Não agora. Abaixei minha cabeça no painel, tentando controlar a torrente de pensamentos que me esmagavam.
— Bárbara, é melhor desligar. — Ricardo sugeriu, percebendo meu estado.
Peguei meu celular novamente, as mãos tremendo. Tentei mais uma vez ligar para Melissa. O som do toque parecia um martírio. Por favor, atende, amor. Atende!
E então, ela atendeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do fim... Um recomeço para o CEO