Eu via Henry na minha mente, seu sorriso enquanto acariciava minha barriga.
— Vou cuidar de vocês, de você e da nossa princesa. Vocês são a minha vida, Melissa.
— Te amo, amor. Obrigada por tudo. Você é o homem mais especial que eu poderia ter na minha vida. — Seus dedos acariciavam meu rosto, limpando as lágrimas que escorriam dos meus olhos. Eram lágrimas de felicidade ao descobrirmos que esperávamos uma menina.
— Morro sem você, amor. Não existe vida sem você. — Henry beijou meus lábios com carinho…
Abri os olhos e limpei a lágrima que caíra. Estou vendo que a bebida não é uma boa companheira para mim. Lennon e Bárbara não notaram; eles conversavam enquanto eu voltava a beber e cantarolar.
“Eu rodei não sei quantos km,
Pra correr da saudade da gente,
Procurando algum canto no mundo,
Pra te esquecer só um pouquinho.
O problema é que cê veio junto…”
Eu cantava, e Bárbara já parecia ter notado meu sofrimento.
— Muda de música, Lennon, pelo amor de Deus! Tira essa mulher desse sofrimento.
— Tadinha, a Lissa está curtindo.
— Tá, tá sofrendo, isso sim! Muda essa bagaça. Até um rock serve! — Eu gritava, cantando com a música, mas a danada da minha amiga colocou um funk.
Aí comecei a pular e dançar. Fomos assim até a casa da Bárbara, que só me traz lembranças ruins.
— Melissa, cê tá animada, hein? — Lennon disse sorridente enquanto eu me despedia da minha amiga louca.
— Tem certeza que não quer dormir lá em casa? — perguntei a Bárbara.
— E quem disse que você vai para sua casa? Aproveitem bem. Lennon, aproveita a animação dela, se é que me entende. Adorei te conhecer.
— Obrigado, Bárbara, também adorei te conhecer. Pode deixar que vamos aproveitar... só mais um pouco. — Olhei para Lennon e fiz sinal de “não” com o dedo.
— Não cai na dessa maluca, não. — Ele sorriu, pegou a garrafa da minha mão e bebeu. Bárbara entrou pelo portão da casa, e seguimos.
— Tem certeza de que ela é irmã do seu ex? — ele sorriu ao perguntar.
— Hahaha, não parece, né? Você precisava ver o cão e gato que eles são! Brigam, mas se amam. Ela está assim porque foi ele quem pediu o divórcio. Está tão raivosa quanto eu. Só que ela é um tanto mais vingativa.
— Essa é amiga de verdade — sorri e concordei com ele. — Ela é linda. Seu ex se parece com ela?
— Só os olhos… — lembrei-me de como sou apaixonada por aqueles olhos. Pisquei várias vezes, voltando a mim. — Tem certeza que quer falar dele?
— Não, não mesmo. Quero saber da sua bebê. Como ela é? — suspirei ao me lembrar da minha pequena.
— Linda, parece uma boneca. Pensa num bebê lindo, cabeluda... agora multiplica a beleza! — falei orgulhosa.
— Quem diria que você seria mãe. Pelo que o “amigo” do seu ex disse, ela é a sua cara, então deve ser linda.
— Obrigada. Mas ela parece comigo e com o pai. Ela tem muitos traços do Henry: o cabelo bem pretinho. Os olhos são meus, olhos negros, e ela é bochechuda. Sou apaixonada pela minha bebê.

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