De imediato, mandei uma mensagem para o Lennon, perguntando se ele poderia vir à minha casa. Preciso saber o que aconteceu. Não gosto nada disso, mas o pior passa pela minha mente ao imaginar que Henry e Lennon se encontraram. Imagino o que Henry pode ter feito, ele é pavio curto — conheço bem.
Lennon respondeu, dizendo que viria mais tarde. Tentando aliviar a mente, coloquei músicas infantis e comecei a cantar para Mia, que adora. Arrumei o tapete dela e nos sentamos no chão. Minha pequena adora brincar com as mãos e sorria enquanto eu cantava as músicas. Sua atenção variava entre mim e a TV. Mas, ao olhar para a mesinha de centro, observei o chaveiro com o nome do Henry. Eu já o tinha visto ali, mas não tinha prestado atenção. Henry estava com as chaves da casa e do portão até ontem. Peguei as chaves, imaginando o quanto ele deve ter ficado bravo ao me ver chegando embriagada, ainda mais acompanhada do Lennon. Já posso imaginar o julgamento.
Mais tarde, almocei enquanto esperava a chegada de Bárbara. Ela avisou que estava a caminho. Pela terceira vez no dia, me perguntou se Henry havia ligado ou mandado mensagem. Eu também estou estranhando o seu sumiço repentino; não esperava que ele desaparecesse assim.
Quando Bárbara chegou, esperava que ela trouxesse notícias, mas, em vez disso, só trouxe mais dúvidas. Assim que entrou, pegou Mia, como sempre faz, e começamos a conversar. Então, ela viu uma nova mensagem da mãe.
— Sua mãe de novo?
— Sim! Ela está uma pilha de nervos, mais desnorteada que o normal. Você sabe o quanto ela é fascinada em nos controlar.
— Tô preocupada, mas sério mesmo! Sua mãe precisa se tratar; essa obsessão dela em controlar tudo não é normal.
— Nem me fale. Passei mal o dia todo, e ainda tive que correr depois que ela voltou para casa sem ter encontrado o Henry. O estresse dela me estressa, e, além disso, recebo muitos julgamentos por beber demais. Para a minha cabeça é muito, não aturo isso.
— Queria saber como te ajudar, amiga. Juro que queria — disse, pegando a mão dela.
— Não tem o que fazer. Mas fica tranquila, não se preocupa com isso, não. Entra por um ouvido e sai pelo outro. Até acho que o Henry desligou o celular para não ser importunado por ela.
— Mas ele nunca fica sem vir ver a Mia. Isso é o que tô estranhando. Ele não está no apê? — Perguntei.
— Não, minha mãe já foi lá pessoalmente, e o porteiro disse que desde ontem ele não entrou lá.
— Caramba, onde ele se meteu? — Resmunguei, preocupada.
— Não sei, Mel, mas acho que não é para se preocupar. Notícia ruim chega logo. Fica tranquila. Qualquer coisa, eu te aviso. Agora, cadê o bendito chá?
— Está quentinho, na garrafa térmica — respondi, olhando o celular.
— Vou encarar isso, mesmo odiando. Preciso de algo para ajudar. O Lennon já apareceu?
— Sim, olha a mensagem que recebi dele — disse, entregando o celular a ela enquanto ela segurava a caneca e fazia uma careta ao ler.
— Caramba, o Henry tava aqui? Mas por quê?
— Pelo visto, sim. Também não sei. Eu não lembro de nada, não sei o que aconteceu.

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