— Haha, Lennon, para com isso. O Henry não mete medo em ninguém.
— Em você não, que é irmã dele. Mas eu? Não conhecia o cara e ele me pegou beijando a ex dele; acha que ele me olhou como?
— Ele partiu para cima ou não? — Perguntei, curiosa, tentando lembrar, mas em vão.
— Não, você estava bêbada demais para ele vir pra cima de mim. Até acho que foi isso que me salvou. — Lennon sorriu.
— Que vergonha! — Tapei o rosto com as mãos.
— Calma, Lissa, isso acontece.
— E depois? — Bárbara perguntou, eufórica.
— Depois, ele me ameaçou e bateu o portão na minha cara. Quase quebrou meu nariz.
— Verdade?
— Tô zoando. Meu nariz é grande, mas nem tanto. Mas, pela raiva do cara, achei que vocês teriam discutido pela manhã — respondi, negando com a cabeça.
— Ele foi embora; nem vi ele aqui.
— Caramba, desculpa. Juro que não faria de novo. Meu coração quase parou quando vi o cara me fuzilando com o olhar — disse ele, rindo.
— Não precisa se desculpar. A culpa foi minha; não devia ter bebido tanto.
— Então já sabemos que foi o Henry que te levou para cama, Mel — disse Bárbara, e eu a olhei, incrédula.
— Olha só, rolou recaída? — Perguntou Lennon.
— Não! Bárbara, para com isso, kkk.
— Ué, não queria saber quem te levou para cama? Já tem a resposta.
— Se tivesse rolado recaída, era por minha conta. Seu ex ia até me agradecer — disse ele, enquanto eu revirava os olhos.
— Ele só me colocou na cama. Vai devagar com as suposições. E você, Lennon, sem comentários — disse, rindo.
— Eu ia te levar, mas ele não deixou. Me deu um empurrão que até agora tá marcado no meu peito.
— Exagerado como sempre, Lennon. Nunca vi disso.
— Mostro a vocês, quer ver?
— Não, deixa quieto — respondi, rindo.
— Quero ver — Bárbara, toda assanhada, disse.
— Vai por mim, Bárbara, não se iluda. Tô longe do tanquinho; a Lissa não quer ver porque já viu coisa bem melhor.
— Deixa de ser bobo, Lennon — sorri, enquanto servia o café da tarde. Fui surpreendida pela chegada do Sr. João.
— Pai, que alegria te ver — Bárbara foi até ele e pediu a bênção.
— Como estão, filha? Melissa, olá, rapaz — Sr. João, sempre educado, cumprimentou cada um de nós e logo pegou Mia. — Cadê a princesa do vovô?
— Vai me dizer que o senhor também está procurando o Henry?
— Não, filha, eu o achei. Estava na praia; um conhecido me ligou. Agora ele está lá em casa. Melissa, vim pedir para levar a princesa comigo. O Henry quer vê-la — senti um alívio, sabendo que ele estava com o pai, que sempre cuida bem dele.
— Claro, vou arrumar a bolsa dela e já volto — subi, estranhando o Henry não ter vindo aqui, já que a casa do pai fica perto da nossa. Acredito que ele está com raiva, o que só vai piorar a nossa situação. Preparei a bolsa de Mia com algumas trocas de roupa. Está frio, e nunca se sabe se vai esfriar mais.

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