Continuação...
Melissa não parecia apenas desconfortável; ela realmente ficou. Seu olhar me atravessou como se eu tivesse desvendado algum segredo profundo.
— Sim, mas não é para viajar agora, é só para ir a Angra no fim de semana, com o feriado prolongado.
— Não estava sabendo disso. — Respondi enquanto observava Mia, que mordia as mãozinhas. — A Mia vai? — perguntei, fitando Melissa.
— Então, Henry, ainda não tinha comentado com você. Estava esperando ficar mais perto para te avisar. — Respirei fundo, desconfiado.
— Entendi. — Esbocei preocupação. Se fosse um passeio comum, tudo bem, mas com minha irmã e Angra, nunca é algo simples. Então decidi tirar a dúvida. — Vocês vão só passear ou a Bárbara está planejando mais um de seus eventos?
— Sim, maninho, vou fazer mais um dos meus eventos, mas relaxa, não será grandioso como os outros. — Bárbara sorriu, mas minha atenção estava fixada em Melissa. Algo mudou; dessa vez, ela sustentou meu olhar por um longo tempo, retribuindo de uma forma que mexeu comigo.
— Nossa, que clima quente! Quando esses olhares se cruzam, até o ar pesa. Estou atrapalhando, né? — Bárbara brincou, provocando Melissa, que sacudiu a cabeça em negação, claramente sem graça. — Estou quebrando o clima romântico aqui, foi mal.
— Bárbara! — Melissa a repreendeu, ficando ainda mais tímida. Enquanto isso, Bárbara pegava Mia dos meus braços.
— Ei, aonde vai com a minha pequena?
— Relaxa, Henry. Vocês precisam conversar, e nem pense em brigar com a Melissa por causa de Angra, porque exijo que ela vá. — Bárbara sempre teve um jeito peculiar de lidar com as coisas. Por mais irritante que pudesse ser, sabia que sua intenção era boa. Ela só queria que Melissa fosse à viagem, mas eu não sou tão fácil quanto ela pensa. Essa viagem já estava me incomodando, e prever uma discussão era inevitável, mas eu não queria isso.
— Não vim discutir. Acho melhor ir embora. — Falei enquanto sentia um formigamento na garganta. Pigarreei, tentando conter a tosse, mas foi impossível.
— Espera, Henry. — Melissa chamou quando me viu virar as costas. Não queria discutir, mas essa ideia de Angra estava me tirando o sossego, principalmente com Bárbara envolvida. Ela só sabe organizar festas cheias de bebedeiras. Bárbara desceu com Mia, enquanto eu voltei e me sentei na cama, observando Melissa.
— Desculpa não ter te avisado antes sobre Angra. É que ainda está distante.
— É no fim de semana, Melissa, não está tão distante assim. Mas não quero discutir. Sei que você é dona da sua vida e faz o que achar melhor, mas a Mia é um bebê. — Deixei meu alerta no ar, tentando evitar conflitos.
— Eu sei, Henry. Você não acha que sou responsável? — Ela perguntou, antes que eu pudesse responder tossi de novo, já estava irritado com o formigamento na garganta.
— Claro que acho. Nunca disse o contrário. Confio minha vida a você todos os dias. — Segurei sua mão, tentando transmitir confiança, mas a ideia de Mia ir para Angra sem mim não me deixava tranquilo. Quando estou com ela, nem chego perto de álcool. Por mais que confie em Melissa, sei como a Bárbara é, a balada que elas foram mostra o quanto ela influencia Melissa.
— Sei que você é muito protetor, Henry, mas não posso desistir de ir só por sua causa. A Bárbara está super empolgada com essa viagem.

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