Henry
Estar perto da Melissa estava sendo muito mais difícil do que eu imaginava. Por um lado, era ótimo; sentia-me bem ao seu lado, como se tudo na minha vida encontrasse um pouco mais de equilíbrio. Mas, por outro lado, era torturante não poder tocá-la como antes, sentir sua pele, seus lábios. Essa baixinha teimosa sabia exatamente como me provocar, e, para piorar, ela fazia isso sem nem perceber. Quando usava o charme dela, era o meu ponto fraco. Bastaram alguns segundos para que ela me deixasse à beira de perder o controle.
Com ela por perto, até esquecia dos problemas que tinha arrumado para minha vida. Pensava em como minha cabeça estaria ainda mais bagunçada sem Melissa para me dar forças. Sempre que precisei, ela esteve ali, mesmo depois de todos os meus erros. Encontrei nela o suporte que precisava, e agora queria ser para ela o que ela sempre foi para mim: segurança, companheirismo e carinho. Melissa merecia o melhor, e eu queria desesperadamente ser esse melhor.
Vesti minha camisa e fui até o quarto dela, mas não a encontrei lá. Pelo jeito, tinha descido para a sala com Mia. Notei que seu notebook estava aberto sobre a cama, com um projeto da loja em que ela estava trabalhando. Observei por um tempo, admirando como ela era talentosa. Fazia tudo com perfeição, mas, pelo tamanho do projeto, achei que talvez não se encaixasse na loja atual. Não mexi em nada, apenas fiquei ali admirando. Depois fui tomar banho. Ainda havia muitas das minhas roupas na casa, então não precisaria sair despido.
Quando a noite chegou, comecei a sentir uma leve dor de cabeça. Era algo que raramente acontecia, mas incomodava. A tosse parecia ter dado uma trégua, mas o latejar na cabeça estava me irritando. Terminei o banho e, ao sair, encontrei Melissa com Mia na cama. Vesti-me rapidamente e me joguei ao lado delas, fazendo o colchão balançar.
— Desculpa. — Disse, segurando Mia, que gargalhava. Melissa sorriu, como sempre fazia quando estava perto da nossa pequena.
— Deixa de bobeira. Vem ver, esse é o novo design da loja. — Ela virou a tela para mim. Já tinha visto antes, então resolvi brincar.
— Vou te contratar para fazer o design da concessionária. Está cada dia melhor. Você deveria ser arquiteta. — Comentei.
— Não é para tanto.
— Estou falando sério. Você tem talento. — Ela sorriu, adorava cuidar das coisas sozinha. Eu admirava isso nela.
— Obrigada.
— Imagina, amor. — Falei sem pensar. Mas, ao ver o olhar repreensivo dela, soube que tinha pisado na bola.
— Henry! — Disse, me encarando.
— O quê? — Perguntei, confuso.
— Amor? — Ela enfatizou a palavra, cruzando os braços.
— Foi mal, é o costume. Mas não deixa de ser verdade. — Brinquei, sorrindo. Dessa vez, ela desistiu de discutir, e senti que tinha vencido.
— Olha, o que achou do projeto? — Perguntou, voltando ao design.
— Maravilhoso, como você. — Respondi, mas ela queria uma resposta séria e não disfarçou o olhar impaciente.
— Seja detalhista, por favor. Preciso que seja sincero.
— Já vi antes de ir tomar banho. Olhei cada detalhe. Vai ficar incrível, mas não acha que é grande demais para a loja? — Ela abriu um sorriso empolgado.
— Não te falei? Vou mudar a loja de local. Será bem maior. O design é para a nova loja.

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