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Depois do fim... Um recomeço para o CEO romance Capítulo 59

Elisângela

Está cada vez mais difícil lidar com o Henry. Meu filho não me ouve, e sinceramente, começo a sentir que estou lavando as mãos diante das suas escolhas e atitudes. No entanto, isso não é fácil para mim. Desde que descobri o câncer, tenho tentado ser menos invasiva e mais tolerante. Já fui intragável até mesmo para os meus próprios filhos, e tenho plena consciência disso.

O que ouvi hoje me deixou desnorteada. Não consigo entender o que está acontecendo. A Renata, que sempre foi tão paciente, meiga e gentil, agora é acusada de ameaçar o meu filho? Se isso for verdade, não faço ideia do que se passa na cabeça dela. Confesso que, nos últimos dias, deixei de estar tão em cima dos meus filhos como costumava ser. Mas veja o resultado: meu filho desfalecido em um hospital. Sempre cuidei deles sozinha, sou uma mãe protetora, e carrego traumas que moldaram quem sou.

Quando passamos por tempos difíceis, estávamos só eu, Bárbara e Henry. Ainda lembro vividamente do dia em que decidi terminar meu casamento com João. Na época, não suportava mais os embates constantes sobre como criar as crianças. Ele queria impor regras e uma educação que eu não concordava, e isso resultava em discussões intermináveis. Sempre fui do tipo que acha que filho é “só meu”, e isso incluía não aceitar que nem mesmo o pai se intrometesse. Fomos para os Estados Unidos, uma mudança drástica e impensada, mas que achei necessária.

Foi lá que vivi um dos momentos mais aterrorizantes da minha vida. Era uma tarde ensolarada, eu cuidava da Bárbara e me descuidei do Henry. Ele queria brincar na piscina, mas eu estava ocupada e disse que não. Pouco depois, percebi que ele não estava dentro de casa. O desespero tomou conta de mim. Procurei em todos os cômodos, mas não o encontrava. Então, ouvi o latido do cachorro no quintal. Corri para lá e o que vi me tirou o chão: Henry estava se afogando na piscina. Um vizinho já estava dentro da água, o tirando de lá. Ele parecia tão frágil, desfalecido, e eu só conseguia pensar que iria perdê-lo. Por sorte, o vizinho agiu rápido, e Henry se recuperou. Ele tinha apenas seis anos.

Aquele dia mudou tudo. Prometi a mim mesma que nunca mais deixaria algo assim acontecer. Coloquei Henry em aulas de natação, artes marciais, fiz tudo para que ele soubesse se defender e se proteger. E a partir disso, minha atenção redobrou não apenas com ele, mas também com a Bárbara. Minha mãe dizia que eu havia ficado obcecada pelos meus filhos, e talvez fosse verdade. Esse episódio me marcou profundamente, e até hoje evito falar sobre isso porque me tira o chão.

Quando soube que Henry estava no hospital, desfalecido, aquele trauma voltou à tona. Revivi a culpa, o desespero e o medo de perdê-lo. Sou uma mulher moldada pelos traumas da vida, e isso me tornou dura. Sempre quis que meus filhos se cercassem de pessoas boas, com valores semelhantes, porque vi o que a falta de alinhamento pode causar. Meu pai é o exemplo disso. Depois do divórcio com minha mãe, casou-se com uma mulher muito mais jovem e de classe baixa, e ela acabou com ele. Quando morreu, estava sozinho e sem nada. Esse rancor que carrego me faz duvidar do amor que meu filho diz ter por Melissa. Não porque tenho algo contra ela, mas porque tenho medo de que ele acabe como meu pai.

Agora, tento compreender o que realmente está acontecendo. Já tentei entrar em contato com Renata várias vezes, mas ela não atende minhas ligações. Não sei o que se passa na cabeça dela. Quero ouvir Henry, saber se as acusações feitas por Melissa são verdadeiras. Não acho que ela esteja mentindo, especialmente porque Ricardo confirmou tudo. E Ricardo é alguém que conhece a vida do meu filho melhor do que ninguém.

Quando Melissa saiu do quarto, percebi que ela estava chorando. Por um momento, questionei se não errei ao julgá-la tanto e tão rápido. Nunca lhe dei uma chance real. Nunca conversamos de verdade. Sempre a evitei, pois minha visão dela era moldada pelo sofrimento que vi Renata passar. Mas agora, me pergunto se, na tentativa de proteger Henry, eu mesma não fui a responsável por afastar quem realmente o faz feliz.

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