— Mãe, faça o favor, não precisa de seguranças aqui. O hospital já tem segurança. — Ouvi isso assim que entrei no quarto.
— Filho, estou prezando pelo seu bem. Você vai dormir, e dormindo nos descuidamos. — Tentei argumentar, mas ele sempre foi teimoso.
— Não durmo tão pesado assim. Preciso de seguranças na casa da Melissa, não aqui. Peça para eles irem até lá, por favor. — Ele me olhou com uma determinação que me dava a certeza de que sua preocupação era genuína.
— Para que isso? Você sempre disse que ela era contra. — Questionei, surpresa.
— Não importa. Eu estava na casa dela para resguardá-las, e agora estou aqui sem poder fazer nada. Ou a senhora envia os seguranças, ou saio daqui do jeito que estou para me assegurar de que elas ficarão bem. — Ele falava firme, como sempre, direto e incisivo.
— Calma, Henry, deixe de ser impulsivo, filho. Sempre disse que a Mia precisava de segurança extra, mas ninguém me ouvia. Vou pedir para eles irem até a casa dela. — Respirei fundo, resignada.
— Obrigado. Assim fico mais tranquilo. — Ele fechou os olhos, visivelmente mais aliviado.
Levantei-me e fui até a porta para chamar o chefe da segurança. Solicitei que enviasse dois seguranças da minha casa para a residência de Melissa e da minha neta. Eu havia pedido isso inúmeras vezes antes, mas sempre ouvi que seguranças invadem a privacidade da casa. Agora, pelo visto, mudaram de ideia.
Voltei ao quarto e sentei ao lado dele, segurando sua mão. Estava quente, febril. Meu coração apertou.
— Você está com febre, Henry. — Disse, alarmada. — Geraldo, Geraldo! — Gritei pelo segurança, que apareceu na porta. — Chame a enfermeira, imediatamente! Meu filho está com febre! — Ele saiu rapidamente, e logo a enfermeira entrou, mediu sua temperatura e saiu sem dar maiores explicações.
— Mãe, pare com isso. O médico disse que é normal. Caramba, nunca te vi gritar assim, ainda mais no meu ouvido. — Ele reclamou, cansado.
Respirei fundo, tentando me controlar.
— Estou preocupada, filho. Olha para minhas mãos, estão tremendo. — Mostrei a ele, tentando não desmoronar.
— Mãe, a senhora precisa tratar isso. Não é normal. — Ele balançou a cabeça, como quem não queria começar uma discussão.
— No dia em que você tratar o seu ciúme pela mãe da minha neta, eu trato minhas “loucuras”. — Respondi, defensiva. — Agora me fale, é verdade o que ela me disse?
— Fale o nome dela, mãe: Melissa. E o que ela te disse?
— Disse um monte de absurdos. Que a Renata está te perseguindo, bateu em uma moça na sua loja, e causou um escândalo no seu prédio. Isso não é da índole da minha afilhada. — Cruzei os braços, sem coragem de encará-lo.
Henry soltou uma risada irônica.
— Não é da índole dela? Então o diabo deve ter se apossado do corpo da sua amada afilhada. Precisamos de um padre ou de um exorcista.
— Filho, conhecemos bem a Renata. Ela nunca foi disso.
— Não é possível que a senhora ainda defenda essa mulher! — Ele ergueu a voz, mas tentou se acalmar. — Ela me ameaçou, mãe, e não aceito isso. Se ela continuar, vai acabar me visitando na cadeia.
— Onde aprendeu a ser tão irônico assim? — Perguntei, sem saber o que dizer.
— Lidamos com a realidade, mãe. Renata está desequilibrada. Ela me deixou atormentado, ameaçou a mim, a Melissa e à Mia. E a senhora sabe muito bem que não aceito que mexam com a minha filha.

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