Ricardo
Caramba, acho que não foi uma boa ideia trazer a Bárbara aqui. Ela está empolgada demais; tentei moderar seu consumo de bebidas, mas, sempre que a Alice me distrai, Bárbara já está com outra garrafa cheia na mão. Tenho uma reunião amanhã com a mãe dela, e Bárbara não quer ir embora de jeito nenhum. O que faço agora?
— Nossa, gato, tô louca para beijar a sua boca. — Alice é insistente demais; quanto mais a rejeito, mais ela insiste.
— Espera, Alice, quero falar com a Bárbara. — Digo, enquanto ela tenta beijar meu rosto. Além dela, tem outra que não lembro o nome.
— Para com isso, Ricardo, está nos evitando a noite toda. — Essa é menos insistente, mas tenta sentar no meu colo.
— Acho que vocês já beberam demais. Está na hora de irem embora também. — Digo a elas.
— Vamos fazer um programinha a dois.
— Não tô afim, Alice, você não faz meu tipo. — Sou direto, esperando que ela desista. Já tentou me beijar, e a outra sentou no meu colo. As pessoas devem estar nos olhando, pensando que sou um sheik com quatro mulheres. Que vergonha! Não costumo me importar com o que os outros pensam, mas elas estão demais; só falta tirarem a roupa e pedirem para eu transar com elas aqui mesmo. Caramba, onde fui me meter!
— Bárbara, vamos. Estou indo embora e não vou te deixar aqui assim. — Digo, mas ela se recusa, enquanto as outras duas se levantam, cada uma pegando um braço meu. Isso já está me irritando; o que faço?
— Pode ir, Ricardinho, aproveita bem a noite, ou o que resta dela! — Ela gargalha. — Depois eu vou, pego um táxi. Ela fala normalmente, como se não estivesse bêbada, mas conheço a Bárbara; ela está mal.
— Nem pense nisso. Vamos, Bárbara. Falei que te levaria para casa, e vou te levar. Agora, vamos.
— Não. — Ela responde firme. Respiro fundo, sem paciência.
— Me leva, Ricardo, quero ir para sua casa.
— O que vou fazer com essas loucas?
— Leva elas para sua casa. — Ela diz, rindo.
— Bárbara, para com isso. — Perco a paciência e me afasto delas. Não esperava que a Bárbara agisse assim; estou decepcionado com suas atitudes. Ela parece perceber meu incômodo com aquelas loucas e com ela também. Vem atrás de mim, mal conseguindo se equilibrar.
— Desculpa, Ricardinho, desculpa. Vai, pode me levar para casa. — Ela se agarra ao meu pescoço ao desequilibrar; seguro-a e respiro aliviado.
— E essas loucas?
— Deixa elas na casa delas, você pode?
— Claro, Bárbara, vamos. — Digo, colocando-a no carro. Vou até as outras três e faço o convite, deixando claro que as deixarei na casa de uma delas, e as outras ficam juntas; amanhã, cada uma segue seu caminho.
Por mais que eu beba, nunca me embriago. Já vivi muitas coisas ruins por conta da embriaguez do meu pai, que era muito violento com minha mãe quando bebia. Engraçado que ele se tornava agressivo com ela, comigo e com meu irmão só quando bebia; sem bebida, era um homem ótimo.
No carro, Alice insistia em ir para minha casa. Tentei ao máximo manter o silêncio e focar na direção, mas percebia a irritação de Bárbara crescendo. Conhecendo sua natureza impulsiva, sabia que ela não ficaria calada por muito tempo.
— Me leva para sua casa, vai. — Alice, sentada atrás de mim, tentava me abraçar e passava as mãos em meus ombros sempre que eu encostava no banco. Sua insistência começava a lembrar o comportamento pegajoso de Renata. Mantive-me calado, concentrado na estrada, enquanto ela sussurrava em meu ouvido.
— Alice, para com isso! Nossa, que mulher chata. Qualquer cara broxa com uma mulher pegajosa que nem você. — Bárbara, irritada, deitou a cabeça no encosto do banco e fechou os olhos. Não pude evitar um sorriso, assim como as outras duas no carro.
— Está bem, Bárbara? — perguntei, preocupado.
— Estou bêbada, tô tonta. — Ela sorriu, os olhos semicerrados.

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