— Bárbara, te admiro muito, gosto de você, mas não duvide da minha idoneidade, porque, se duvidar, quem vai deixar de falar com você sou eu. — Fui direto. Não admito que questionem meu caráter, ainda mais quando estou tentando ajudar. Porra, ser tachado de interesseiro? Isso, não!
— Desculpa, Ricardo, mas convenhamos que ninguém faz algo assim sem ter algum motivo por trás.
— Eu faço, Bárbara. Não quero nada em troca. Só queria ajudar você e o Henry a viverem melhor. Caralh0, você me conhece! Como pode pensar que estou buscando algum interesse? — Ela abaixou a cabeça, parecendo envergonhada. — Você sabe muito bem que eu não preciso disso.
— Nossa, fui rude… Me desculpa, Ricardo. Achei que fosse algo que a dona controladora tivesse armado.
— Bárbara, por um lado, sua mãe tem razão. Você não tem responsabilidade com nada. É inconsequente, e é claro que ela tem medo. Ela é sua mãe, caramba! Precisa começar a ter responsabilidade para não sofrer as consequências mais tarde. Não existe outro caminho, todo mundo tem suas responsabilidades, e você precisa assumir as suas.
— Não é fácil mudar assim do nada… Você deveria saber disso. — Ela pediu mais um suco, e eu também. Acho que, nesse ponto, um suco de maracujá seria bom para acalmar meus pensamentos.
— E quem disse que não sei? Eu sei bem. E se você quiser, vou te ajudar com isso. Posso ir te guiando e, estando por perto, sua mãe vai te ver com mais confiança. Mas não quero que finja ser responsável o tempo todo. Ninguém é. Todo mundo merece momentos de diversão e lazer. Agora come tranquila. Depois daqui, vamos para onde você quiser.
Bárbara se levantou, me estendeu a mão, e, antes que eu pudesse reagir, me abraçou. O gesto me fez relaxar um pouco. Era bom saber que ela entendia minha intenção.
— Obrigada, Ricardo. Muito obrigada por me estender a mão. Você não precisava se envolver nisso, mas está tendo consideração por mim.
— Sempre tive, e sempre vou ter, Bárbara. Agora come.
— Então… estamos juntos ou não? Não entendi!

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